O que faço à minha vida? | A Nossa Vida

O que faço à minha vida?

Retrato de Anonimo300
24.06.2022 | 01:55
Anonimo300:
Membro desde: 24.06.2022

Olá a todos. Venho pedir ajuda, pois não sei mais o que fazer. Estou junto com a minha namorada desde 2016, e temos um filho com 6 anos. A minha namorada sempre gostou muito de álcool, e desde 2020 que tem se descontrolado bastantes vezes. Vai por exemplo ao supermercados compra um pack de cervejas e bebe ao pack em poucas horas se for necessário e o resultado já se sabe qual é... Já tivemos várias discussões sobre isto, o qual ela fica chateada, sem me falar um, dois dias como se tivesse razão, e depois no final acabamos sempre por "resolver " as coisas. Mas claro que acaba por voltar ao mesmo. Já estou cansado de lhe dizer que não pode ser, que temos um filho e ele não pode crescer com isto acontecer frequentemente. Ultimamente e tão tem sido todas as semanas discussões devido a isto, e da última vez até me "convidou" a sair de casa, caso eu não estivesse bem com ela, e isto porque eu falei com ela sobre esta situação, mais uma vez.

E outra situação que foi pior ainda, foi que em abril eu descobri, com provas que ela andava a falar com o patrão por mensagens no telegram de teor sexual. Como ele a perguntar-lhe a ela se ela gostaria de o acompanhar a um motel, e ela disse que não podia porque estava a trabalhar, mas para ele não dizer aquelas coisas que ela ficava com vontade. Nesse mesmo dia quando descobri, foi quando ela saiu de casa e disse que tinha que ir ao trabalho ter com o patrão para assinar umas folhas, e eu cheguei a ver parte da conversa em tempo real. Fiquei pior que estragado, não sabia o que fazer, tive que ter um enorme controlo, mas quando ela chegou a casa eu apenas lhe perguntei "e tão gostavas de ir com o teu patrão para um motel é?". E ela ficou uns minutos paralisada, pois.nao estava a espera daquilo. Depois claro diz-lhe perguntas, ela disse que já andavam a falar pelo telegram desde fevereiro mas que não falavam sempre e que foi ele que disse que por lá era mais seguro. Disse-me que ele a tentou beijar nesse mesmo dia, mas que ela não deixou, que lhe disse para ele parar. Jurou-me por tudo que nunca houve nada físico entre eles, que apenas ele a beijou na testa uma vez. E ainda por cima a mulher do patrão trabalha com a minha. Eu conheço ela e ele. Vivemos numa pequena vila. E quando ela lhe disse que eu tinha descoberto ele disse-lhe que o que importa é isto nunca vir a público. Eu andei uma semana inteira sem lhe falar, a pensar imenso no que fazer, ela fartava-se de chorar, a dizer que me amava, que não sabia porque fez aquilo. E eu depois de muito pensar perdoei-a, mas desde aí que sinto uma insegurança enorme. E tenho um pressentimento que eles continuam a falar algo sem ser de trabalho (porque eles sempre falaram também de trabalho por mensagens). E ainda para mais ele é bastante mais velho que ela, te to que ele conhecê-la desde pequena e já ele não era muito novo. E pior que tudo é que eu acabo por estar a protege-lo a ele para protegê-lo a ela. Eles sabem que se eu deito isto cá para fora que acabo com a vida pessoal dele e profissional dela e pessoal também. Mas é o que tenho vontade de fazer, porque eu não mereço isto, ela sempre teve alguns problemas (anorexia, bulimia, álcool, mutilação) e fui eu que a levantei quando a conheci. Fiz e faço sempre de tudo para ela estar bem. E é isto que recebo em troca. Muitas vezes pergunto-lhe se ela continua a falar com ele, e ela diz que não, que se quiser até posso ver no telemóvel dela. Mas eu sei muito bem que ela pode falar e apagar as mensagens, que é o que fazia antes de eu descobrir.

O que faço com estes problemas todos? Ela é acompanhada pela psiquiatra.O que vocês fariam? Preciso de respostas, desde que descobri isto que não ando nada bem.

Obrigado.


Retrato de bmimen
Qua, 29/06/2022 - 18:18
bmimen:
Membro desde: 10.05.2022

Esses dois problemas, são efetivamente graves, vamos ao primeiro (álcool), sendo certo que se calhar eles estão interligados (bebe mais porque, tem remorsos das asneiras que anda a fazer), mas não tenho dados suficientes para fazer uma afirmação dessas.
O álcool por si só se ela quiser resolve-se, com um psi, alcoólicos anónimos, etc a sua missão é conseguir que ela aceite, a ajuda de profissionais, que vão tentar ajuda-la primeiro a reconhecer que existe um problema e só depois tentar resolver esse problema.
Os outros problemas, de auto mutilação, etc, resolvem-se, no mesmo local, com os mesmos profissionais.
Agora o problema principal é a “traição”, permita-me apelidar a mesma desta forma, pois eu acho que é, isso mesmo, uma “traição”.
Nunca ficará a saber se ela foi, está a ir ou irá no futuro, para a “cama”, com o patrão, ficará sempre essa dúvida na sua cabeça e daqui a 30 Anos, ainda se lembrará disso perfeitamente, mesmo quando já se tiver esquecido, do seu próprio nome.
Você também não pode lhe dizer “não voltas a ver esse gajo, nem a trocar mensagens com ele”, muito usual nesta situações, a não ser que lhe imponha, que ela mude de emprego, uma situação a considerar.
Não pode deixar de recordar que ela não era só assediada, pelo patrão, respondia ativamente, alimentando a situação e tendo aceitado que os acontecimentos tomavam esse rumo, sem nunca lhe ter dito, a si nada, inclusive sugeriu que o patrão a “excitava”, não pondo de lado um eventual encontro. Esse silencio, quando descoberta, é muito mais revelador e muito mais importante, do que a importância que você lhe está a atribuir, não eram só uma mensagens inocentes….
A história do “se eu estou contigo é porque te amo”, também não cola, uma vez que há muito boa gente, que não prescinde do melhor de dois mundos, tem alguém jovem e que lhe vai garantir a educação das crias em casa, no futuro, enquanto vai usufruindo de outras regalias (dinheiro, poder, estatuto, ou simples diversão), com uma outra pessoa. Isto é muito visto nos locais de trabalho.
Isso do amor é uma construção do romantismo, com este fulgor, atual, tem mais ou menos 300 Anos. Para trás, os relacionamentos de cariz sexual, entre homens e mulheres eram norteados por outras perspetivas, do género: “Este/esta vai-me ajudar criar os filhos, tem dinheiro”, “aquele/aquela tem um bom gene” etc. Um homem não pensa da mesma forma que uma mulher e no que diz respeito a estas situações, então muito menos. Elas entram com fatores, na equação, que nós nem sequer sabemos que existem e vice-versa.
Mas vamos ao que interessa, por mim era já “partir a loiça toda”, com a mulher dele a saber e tudo, ele não se havia de se ficar a rir e naturalmente, claro o divórcio.
No entanto você tem que ponderar a situação do seu filho, ele é o mais importante de tudo.
Pelo menos, pelo menos (escrevi duas vezes), se não considerar o divórcio, exigia que ela abandonasse o emprego e que nunca, mas nunca mais falasse com ele. Vamos lá ver se ela gosta tanto de si, assim. Caso contrário era o fim. Sim eu sei o dinheiro é preciso, não será fácil arranjar outro emprego, blá, blá, blá, mas a sua estabilidade emocional também é importante, não se anule, não se aninhe, mostre, a si mesmo, que você é importante.
Quer despoletar a situação? Chega ao emprego dela e arma uma grande peixeirada e pois de incendiar tudo, já fica a saber o que é que vai sobrar, o que é importante e por aí fora, fico-me por aqui, boa sorte.

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