Qualidade serviços em tempo de crise | A Nossa Vida

Qualidade serviços em tempo de crise

Retrato de sphiren
09.11.2014 | 18:24
sphiren:
Membro desde: 04.09.2011

Apenas um comentário...

Em tempos de crise, acho que o mercado está podre.
Isto dava pano pra muitas mangas, mas tentando ser o mais genérica e superficial possivel, aproveito para comentar o que á muito noto:
- serviços que mantem os mesmo preços (muitos dos quais bastante elevados) e no entanto passaram a comprar produtos até no "armazém do chinês". Não querendo aqui entrar em comparações de qualidade, acho que uma pessoa quando paga um Chanel não espera levar um 'ming-chau-xu'. Ou quando paga no cabeleireiro por coloração L'Oreal, não espera sair com coloração "chinois".
- serviços que baixam loucamente os preços para competir com o primeiro caso que referi, muitas das vezes com bons produtos, mas perdem pela aparencia do primeiro caso.

O tipico vender gato por lebre. Quem não sabe é como quem não vê. Mas vejo muita ignorancia da parte do público perante alguns destes "serviços" em que acreditam nas promessas de vender a lua.

Será que a crise deixou o cliente mais burro mas com a mania da exigencia? O mesmo me questiono em relação a patrões que se baseiam em caracteristicas não relacionadas com o bom desempenho para contratar alguém (atributos fisicos para um trabalho que nem sequer lida com o cliente, por exemplo).

E depois vejo patrões a fugir ao contrato do funcionário e ao pagamento de remunerações, e do outro lado o funcionário a submeter-se com esperaças de não voltar ao balcão do centro de emprego... para mais tarde sair com um "xuto no traseiro" sem salário á vista e ainda têm medo de recorrer a tribunal.

País caricato...


Retrato de Sofia1984
Seg, 10/11/2014 - 14:25
Sofia1984:
Membro desde: 29.05.2010

Adoro estes tópicos, para pensar pensar e pensar... tópico interessante.

Penso que o que se pode estar a passar em relação ao mercado é que deixou de haver classe média, e passou a haver duas classes distintas: os pobres e os ricos.
Ou os que compram coisas de pobre e coisas de rico.

Como é lógico, os "pobres" (=antigos "classe média) vêm reduzido o seu poder de compra, mas mantêm a exigência.
Os ricos continuam a comprar coisas caras.

Em relação ao vender "gato por lebre",é relativo. Como já foi falado em milhentos tópicos, há coisas boas e muito baratas (que pode levar o consumidor a desconfiar) e coisas caras que não valem o dinheiro que se dá por elas. Sobretudo quando a sede das margens de lucro imperam.

Mas também há bons artigos que não era justo serem mais baratos do que aquilo que são. Ou porque são artesanais, ou feitos de forma mais trabalhosa e que levam mais tempo a produzir.
A questão é que há pouco quem queira pagar ESTE preço justo pelas coisas.
Isto leva-me directamente para um dilema, e dou um exemplo que se passou numa conversa em minha casa, por exemplo, com relação aos preços praticado num talho pelo qual passei de carro com o meu pai. Ele dizia assim:

"olha, vês? carne de XPTO a X€, como é que é possível aqui estar tão barato e os outros não conseguirem?"...

Bem: temos de ver a origem e a produção das coisas. Neste caso, da carne. Se calhar neste talho é mais barato mas há um motivo. E se pensar nesse motivo me leva directamente para o tema "qualidade", eu, como consumidor, em vez de ser puxada a comprar ali, vou a outro lado, em que o preço esteja mais na média.
Ninguém me garante que a carne ali seja má, ou que onde eu vá seja melhor, mas acreditando que sim, não compro alimentos ao preço da chuva.As coisas não estão sempre directamente relacionadas, mas eu como consumidora sigo este raciocínio, como outros podem seguir outros.

O consumidor não está cego. Está até bem atento. Quer é qualidade a preços minis, e nem sempre é possível.

O que penso que vai acontecer ao mercado é realmente a concorrência tornar-se esmagadora para empresas que não promovam um produto ou serviço de qualidade.Empresas que estão no ramo há séculos, que não se actualizem, vão entrar em decadência. ISso já acontece e vai continuar, em massa a haver fecho de empresas. Não são competitivas. Regem-se agora pelos mesmos padrões de há 30 anos.

O cliente tem mais por onde escolher e só os fortes permanecerão no mercado.

Em relação à empregabilidade, acredito que aconteça um pouco como nos produtos: só os fortes vingarão, e as empresas que queiram vingar no mercado vão começar a olhar para os "fortes", porque vão perceber que só com uma excelente equipa é que vão conseguir resultados. As coisas vão mudar.

Deixo um exemplo prático, para reflectir.

Aqui cortam no pessoal para diminuir a despesa. Grosso modo, é isto.
No Brasil, uma loja de vender fatos de homem tem, em média, 1 funcionários para cada cliente.
Assim que o cliente entra na loja, é tão bem acompanhado e tão bem servido, que compra, e compra mais. Porque entrou para comprar uma gravata mas saiu de lá com um fato Armani... isto é verdade e é o testemunho de alguém que esteve lá e viu como isto acontece.

Aqui, enquanto continuarmos com esta mentalidade pequenina, o país não vai produzir, ou vai...mas muito lentamente.

"A meta de uma discussão ou debate não deveria ser a vitória, mas o progresso."
( Joseph Joubert )