O pai da minha namorada não me aceita... Ajuda | A Nossa Vida

O pai da minha namorada não me aceita... Ajuda

Retrato de João Oliveira1
16.08.2019 | 19:00
João Oliveira1:
Membro desde: 16.08.2019

Ora boas a todos aqui no fórum. Sou novo aqui, mas queria expor o meu problema , que é algo que me está a afligir imenso nos últimos quatro meses.

Antes de mais sou o João e tenho 27 anos. Namoro há 11 meses com uma rapariga, após um longo sofrimento numa relação abusiva de dois anos e meio. Ela é 3 anos mais nova que eu e já tivemos um interregno de cerca de dois meses, tendo voltado em Março deste ano e desde então temos decidido investir na relação.

Nos finais de abril, a minha namorada decidiu apresentar-me aos pais, cuja aceitação foi muito boa. Durante a estadia em sua casa, em Lisboa (vivo em Santa Maria da Feira), tratei ambos com grande respeito e honestidade, e o feedback deles pareceu-me bastante positivo. Depois, ambos seguimos para Braga, para celebrar os 9 meses de relacionamento. Até que no último dia em que ela pretendia ficar em minha casa, recebe uma chamada do pai em tom muito ameaçador, cheio de ataques, críticas e exigindo-lhe o fim do namoro caso não quisesse ser posta fora de casa. Ela apesar de ter tremido não cedeu. Segundo ela, o pai dela esperava que ela tivesse um homem rico e com alto nível de estudos para a filha, que tem apenas o 12º ano. Além disso, criticou o facto de eu ser filho de dois parentes (algo muito normal na minha zona) e tentou alegar que eu teria uma deficiência genética pelo simples facto dos meus pais serem parentes. Toda esta atitude fê-la criar uma atitude de medo constante para com os pais, fazendo-a viver uma vida dupla, vindo varias vezes ao norte por umas horas para poder estar comigo.

Entretanto fiquei desempregado, e em Junho, ela decide vir ao Norte , novamente á revelia dos pais. Incentivada pela minha família e por mim, decidiu contar aos pais que tinha vindo ter comigo. Fizeram uma cena de filme tal que recebeu mimos tais como: "dentro de um ano vamos ouvir falar em mortes", "vocês são totalmente opostos", "se decidires ter filhos com esse deficiente, faz um exame específico para não teres desilusões", "és a vergonha da família", "vais viver as custas deles"... E ainda foi esbofeteada pela mãe. Tudo isto fê-la vir viver comigo durante um mês e meio.

Neste mês e meio, tornou-se uma pessoa diferente: mais forte, mais próxima, mais feliz, foi acolhida e aceite por toda a minha familia, e tornou-se uma de nós. Até que decidiu voltar, com saudades de casa a Lisboa. Neste momento, a mãe já passou a aceitar a relação, dizendo que o que pretende é nós ver felizes. No entanto o pai, endureceu ainda mais o discurso, juntando ao "deficiente", o termo "chulo"... E disse que exigia o corte completo e imediato comigo , sem quaisquer contemplações, dizendo que p lugar dela não era com saloios do norte (o mais estúpido nisto, é que ele também é do norte!), Além disso, desvaloriza as competências profissionais da filha, e os seus sonhos, exigindo que ela ingresse na faculdade, seja de que forma for. Acontece que toda esta pressao, esmagou por completo toda a força que ganhou num mês e meio juntos, voltando a dizer que se sente fraca, tornando-se mais fria, e segundo ela, com medo de ser forçada a escolher entre mim ou eles.

Neste momento encontro-me em Lisboa em férias, mas impedido de entrar em casa dela, devido á casmurrice do pai. Estou a concorrer a dois empregos que ambos me irão trazer muito melhores condições de vida, e podem me fazer pensar seriamente num futuro com ela.

Admito que está situação me aborrece muito, e que me faz temer pelo futuro da relação com ela, pois o meu futuro sogro não grama comigo, mesmo já eu tendo oferecido a oportunidade dele conhecer a minha família e as condições em que a filha viveu durante um mês e meio, preferindo manter as ideias fixas e falsas acerca de mim. Preciso de ajuda , pois temos vindo a criar alguns atritos dos quais temo que possa vir no limite a anteceder um novo fim de relação.

Obrigado a quem responder!


Retrato de Tony Chopper
Sáb, 17/08/2019 - 04:10
Tony Chopper:
Membro desde: 28.08.2017

E eu que pensava que em Portugal já não havia labregos com estes preconceitos como o teu "sogro"!

Para mim tens três alternativas:

- Uma vais ter com o pai dela, confrontas o gajo e se for preciso apertas-lhe o pescoço ou dás-lhe uma cabeçada na cana do nariz;

- Vais ter com ele, berras com ele se for preciso para ele aprender a baixar a bolinha e respeitar-te como homem;

- Terminas com a tua namorada e evitas ter que lidar com uma família de malucos e ignorantes.

Para mim a melhor alternativa é a segunda: se tens intenção de casar com ela, tens que confrontar o teu sogro e mostrar-lhe que vais ser o próximo macho alpha da família, vais ser o macho que vai mandar na tua família, nos teus pais e nos teus sogros.´

Não sejas um conas, mostra-lhes que és um homem com H grande e o próximo chefe das duas famílias!

Retrato de MOPA
Seg, 19/08/2019 - 12:24
MOPA:
Membro desde: 23.06.2015

Olá João!
Situação bicuda…
Aquilo que pudeste fazer pela relação já fizeste. Ajudaste a tua namorada, apoiaste-a em tudo o que conseguiste.
Falar com o pai da tua namorada… não sei ser será boa ideia, poderá dar-se o caso da coisa dar para o torto e a conversa descambar. Também já falaste com ele anteriormente, explicaste as coisas. Ele não entendeu porque não quis. Provavelmente está tão obcecado em ter o "genro ideal" sob o seu ponto de vista, que se esquece que esse tal "genro ideal" não existe.
Tenho uma amiga minha que viveu uma situação semelhante. A solução que arranjou foi sair de casa. Foi morar junta com o namorado e depois passados uns anos casaram-se. Os pais para manterem a aparência de família feliz foram ao casamento e deram uma de "pais", hoje não se falam. Ela continua casada, com filhos e super feliz com a vida.
Quanto a tua namorada, o que ela tem que entender (e com a tua ajuda conseguirá) é que o pai escolheu a vida dele e ela vai escolher a vida dela. A questão que lhe tens que colocar é: ela vai viver a vida dela por forma a ser feliz, ou vai viver a vida dela de forma que os pais querem?
Se ela escolher ficar contigo ótimo! se escolher ficar com os pais, paciência. Por mais que gostes dela, gostas mais de ti. Fazes o teu "luto" da relação e partes para outra…
Acrescento apenas que é muito triste ainda haver pessoas que pensam que a felicidade é baseada no dinheiro… tantas pessoas podres de ricas que se suicidam porque se sentem sozinhas… enfim… mentes pequeninas…
Boa sorte! Acho que vais precisar…
Tudo a correr bem!
Mopa

Retrato de João Oliveira1
Ter, 29/09/2020 - 15:32
João Oliveira1:
Membro desde: 16.08.2019

Caros Tony Chopper e MOPA:

Após um ano, decido fazer um update da situação ao qual agradeço as vossas mensagens.

Neste momento, conto com dois anos e quase um mês nesta relação. A má relação com o pai tem continuado . Ele tem continuado a campanha dele, e com o COVID a coisa só tem tido tendência a piorar. Em maio passado, o meu pai sofreu um ataque cardíaco, e de forma a que ela estivesse mais perto de mim, após um mês e meio de lockdown decidiu voltar para o Norte, do qual apenas saiu em Julho, após mais uma discussão ao telefone com a mãe, relacionada comigo. Pelo que parece, os pais continuam fixos na ideia de que eu não sou capaz de lhe dar um futuro desafogado, que está a viver no meio de atrasados mentais, continuando a ideia fixa de que sou deficiente. Infelizmente, existe bem perto dela, um rapaz que a quer, e que neste ano de intervalo, tentou, pelo menos por duas vezes, que ela me trocasse por ele. Cheguei a receber ataques dele, no sentido que não queria que ela arranjasse emprego fora do Norte, porque tinha medo de não a ter "debaixo de olho". Tudo isto consegui rebater com a força do amor. Mas falemos do que realmente importa aqui.

Num ano, se fu a casa dela duas vezes, e à clandestinidade, foi muito. Ela tem passado muito mais tempo por aqui, que eu por Lisboa. Noto-a a querer ter projetos de vida, mas também muito amedrontada em perder o amor dos pais, que já a ignoram em casa. Diz ela que só tem servido para as lides da casa, que o pai tem-na pressionado constantemente para que vá para a faculdade, ora que adquira casas no interior do país, nomeadamente na Beira Interior (tudo isto com o objetivo de me afastar dela, já como se sabe, a Beira está mais bem ligada a Lisboa que propriamente aos arredores do Porto, fazendo com que seja uma tremenda dor de cabeça os encontros). Neste ano, ela já veio chateada com os pais para aqui umas 3 vezes, todas traduzidas em estadias longas por aqui. Acontece que na última, ela convenceu-se que teria de escolher entre mim e os pais, e foi para casa comigo praticamente convencido que iria acabar. Não acabou, mas o pai continua com a campanha dele, e voltou a influenciar a mãe para tal. Não tem havido abertura de nenhum deles para falar comigo, embora eu sinta que a mãe está mais confortável com a ideia de estarmos juntos, que propriamente o pai, muito embora ela frise que ela já está com "a cabeça feita", pelo pai.

Eu continuo firme, mas receio que estou a perder a força, porque sinto que ela está a começar a cair animicamente, dizendo que só quer vir para junto de mim, mas ao mesmo tempo a sofrer pressão cada vez que decide vir para junto de mim. Eu preciso de ajuda, sinceramente não quero perder a minha namorada, após tudo o que passámos neste ano. Alguém tem ideias? Agradecido!

Retrato de João Oliveira1
Ter, 29/09/2020 - 15:32
João Oliveira1:
Membro desde: 16.08.2019

Caros Tony Chopper e MOPA:

Após um ano, decido fazer um update da situação ao qual agradeço as vossas mensagens.

Neste momento, conto com dois anos e quase um mês nesta relação. A má relação com o pai tem continuado . Ele tem continuado a campanha dele, e com o COVID a coisa só tem tido tendência a piorar. Em maio passado, o meu pai sofreu um ataque cardíaco, e de forma a que ela estivesse mais perto de mim, após um mês e meio de lockdown decidiu voltar para o Norte, do qual apenas saiu em Julho, após mais uma discussão ao telefone com a mãe, relacionada comigo. Pelo que parece, os pais continuam fixos na ideia de que eu não sou capaz de lhe dar um futuro desafogado, que está a viver no meio de atrasados mentais, continuando a ideia fixa de que sou deficiente. Infelizmente, existe bem perto dela, um rapaz que a quer, e que neste ano de intervalo, tentou, pelo menos por duas vezes, que ela me trocasse por ele. Cheguei a receber ataques dele, no sentido que não queria que ela arranjasse emprego fora do Norte, porque tinha medo de não a ter "debaixo de olho". Tudo isto consegui rebater com a força do amor. Mas falemos do que realmente importa aqui.

Num ano, se fu a casa dela duas vezes, e à clandestinidade, foi muito. Ela tem passado muito mais tempo por aqui, que eu por Lisboa. Noto-a a querer ter projetos de vida, mas também muito amedrontada em perder o amor dos pais, que já a ignoram em casa. Diz ela que só tem servido para as lides da casa, que o pai tem-na pressionado constantemente para que vá para a faculdade, ora que adquira casas no interior do país, nomeadamente na Beira Interior (tudo isto com o objetivo de me afastar dela, já como se sabe, a Beira está mais bem ligada a Lisboa que propriamente aos arredores do Porto, fazendo com que seja uma tremenda dor de cabeça os encontros). Neste ano, ela já veio chateada com os pais para aqui umas 3 vezes, todas traduzidas em estadias longas por aqui. Acontece que na última, ela convenceu-se que teria de escolher entre mim e os pais, e foi para casa comigo praticamente convencido que iria acabar. Não acabou, mas o pai continua com a campanha dele, e voltou a influenciar a mãe para tal. Não tem havido abertura de nenhum deles para falar comigo, embora eu sinta que a mãe está mais confortável com a ideia de estarmos juntos, que propriamente o pai, muito embora ela frise que ela já está com "a cabeça feita", pelo pai.

Eu continuo firme, mas receio que estou a perder a força, porque sinto que ela está a começar a cair animicamente, dizendo que só quer vir para junto de mim, mas ao mesmo tempo a sofrer pressão cada vez que decide vir para junto de mim. Eu preciso de ajuda, sinceramente não quero perder a minha namorada, após tudo o que passámos neste ano. Alguém tem ideias? Agradecido!

Retrato de MOPA
Qui, 08/10/2020 - 11:54
MOPA:
Membro desde: 23.06.2015

Olá,
A relação já dura há algum tempo, mostra que realmente vocês gostam um do outro e querem ser felizes.
Ela quando vai ter contigo fica na casa de quem? dos teus pais? ela trabalha? tu trabalhas?
A meu ver a melhor solução é serem financeiramente independentes, terem a vossa casa e serem felizes. Ao serem financeiramente independentes tomam as vossas próprias decisões, são donos da vossa vida. Fazem o que quiserem. Não interessa se a vossa casa é pequena, média ou grande. É a vossa casa. O vosso refúgio. Quanto ao pai dela, pode ser que com o tempo ele aceite que tu foste a escolha da filha, que és tu que a fazes feliz. A tua namorada também poderá meter o pai "na linha". Tem que lhe dizer que ele enquanto pai escolheu a vida dele, e ela filha tem o direito de escolher a sua vida. E ele enquanto pai poderá não gostar das decisões tomadas, mas deverá respeitar. Não sei se o pai dela é abastado, mas se for, só mostra que dinheiro não compra educação. Enfim... é muito triste.
Se ele não aceitar a decisão da filha paciência. É contigo com quem ela quer ficar. É contigo com quem ela quer dormir à noite. É contigo com quem futuramente irá ter filhos. Portanto, o problema é do pai. Secalhar mesmo o melhor é ela livrar-se das garras e influência do pai. Não fiques culpado se isso acontecer. A responsabilidade será sempre do pai dela. As vezes cortar com pais tóxicos é o melhor que se pode fazer na vida para não se endoidecer de vez.
Quanto a minha amiga que viveu essa situação em tudo muito, muito, muito semelhante, o que a salvou da situação foi ela e o namorado (na altura, hoje são casados) arranjarem trabalho e irem morar os 2 juntos. Hoje estão super felizes. Quanto à mãe e ao pai dela... simplesmente não se falam. Não falam mesmo. Ela diz que foi a solução que conseguiu arranjar para não dar em maluquinha. E sabes que mais? quem fica a perder são os pais porque vão perder muita coisa, simplesmente por causa de mer*** que hoje em dia não fazem sentido.
O pai dela que fique com o dinheiro, com as casas, com carros. Um dia quando for velhinho e estiver sem ninguém vai ver que isso tudo não interessa.
Tudo de bom!
Mopa

Retrato de João Oliveira1
Sex, 09/10/2020 - 22:08
João Oliveira1:
Membro desde: 16.08.2019

Olá MOPA.

Obrigado pela tua mensagem.

Neste momento, eu estou empregado, mas ela não. Consegui ainda por cima a efetividade ontem, conseguindo assim o objetivo de ter um trabalho apesar de não ser o que quero, estável por enquanto.

Estou a todo o custo a tentar-lhe encontrar colocação numa empresa da minha cidade, uma vez que chegámos ambos à conclusão que o custo de vida em Santa Maria da Feira é muito mais baixo que propriamente em Lisboa. De forma que quando nos queremos ver, até à altura em que fui a casa dos meus sogros, fazíamos viagens à vez, em que eu ficava em casa da minha tia-madrinha, que vive em Lisboa, e com a qual sempre tive uma relação muito próxima, uma vez que viveu comigo até eu fazer 13 anos de idade, e mantenho um relacionamento excelente ainda hoje. Ela vem para casa dos meus pais, que a aceitam com toda a naturalidade que se exige de um casal. Ela chega inclusivamente a dizer que vê nos meus pais, os pais que ela queria ter tido desde sempre.

Os meus pais chegam a dizer que nos permitem ficar na atual casa, até que tenhamos segurança financeira para encontrar uma casa para nós e sermos felizes juntos. Coisa que o meu sogro quer evitar a todo o custo, usando inclusivamente a mulher como "megafone" para as suas pretensões.

Vamos dar um briefing um bocadinho mais detalhado da situação:

O pai é de origens minhotas. Teve uma origem em tudo semelhante à minha (operária, embora a minha do ramo corticeiro, e a dele do ramo têxtil), cortou com a família, emigrou, voltou para tirar licenciatura em linguas e hoje é professor do ensino básico.

A mãe, lisboeta de gema, embora com traços beirões, lutou para ter também ela uma licenciatura em línguas, sendo ela professora do ensino secundário, mas nunca cortou com a família.

Quem é da zona de Famalicão - Guimarães, sabe que os minhotos nunca morreram muito de amores com a malta do sul do Porto, devido às diferenças socio culturais que existem a norte. Não é abastado propriamente para os padrões de Lisboa, mas no norte seria certamente uma pessoa de classe económica média alta a alta.

Após a situação descrita nesta mensagem, aconteceram pelo menos mais duas situações em que ela voltou para cá de mal com os pais: Na primeira, em Janeiro deste ano, após o aniversário dela, em que eu fiquei em casa da avó dela (que já faleceu, e cuja casa já foi entregue ao senhorio) e que motivou uma resposta tão irada do pai que quase nos obrigou a barricar a porta de entrada, e chamar a polícia, ficou cá 3 meses e meio, regressando após uma pressão gigantesca da mãe por causa do COVID (na altura em que a região norte era fustigada pela doença, muito embora ela se sinta muito mais insegura em Lisboa que cá). A segunda, ocorreu pouco mais de um mês depois: Em Maio, o meu pai sofreu um ataque cardíaco e esteve 5 dias entre a vida e a morte no Hospital. Ela , pelo apreço que tem pelo meu pai e para me apoiar, decidiu vir para o norte passar uma temporada, e tentar arranjar um emprego por aqui. O que era para ser um fim-de-semana, passou facilmente a dois meses. Entretanto, a mãe ligou-lhe com os mesmos ataques que o pai já disparou: Que ela pode esperar total alheamento deles no nosso casamento, que se me vê à frente que me é capaz de matar, mandou-a fazer o exame específico para detetar deficiências, que agora não sei o nome, e pior que isso: Ter filhos comigo é sinónimo de corte total com eles.

Tudo isto fez com que ela a certo ponto começasse a pensar que seria melhor acabar comigo para não perder os pais, de forma que o regresso dela, no final de Julho a Lisboa, foi-me dado quase como certa a separação. O pai tem apostado muito no silêncio como arma quando ela cá está, fazendo com que a mãe faça o mesmo, isolando-a.

O pior, é que durante este tempo, um dos ex-namorados dela começou também ele a fazer pressão para que ela acabasse comigo e regressasse a ele. Foram usadas todas as artimanhas e mais algumas para que a minha imagem e o nosso esforço fosse descredibilizado, numa tentativa desesperada de a manter em Lisboa. Cheguei inclusivamente a receber ataques diretos dele. Nada disto foi levado em conta, muito embora tenha tido a concorrência dele. Hoje preocupa-me a ligação cirúrgica entre o pai e este indivíduo, uma vez que apesar de não se conhecerem, terem as mesmas ideias em relação a mim, e o fim da relação interessar a ambos.

O mês de agosto passou-se de uma forma completamente louca. Consegui ir a casa dela na clandestinidade, passando cinco dias excelentes, e aproveitando umas férias de autocaravanismo dos pais para Sines, trouxe-a de volta à Feira. Acontece que 3 dias depois, há uma avaria na caravana, e fico obrigado a ir para baixo de urgência, com graves riscos da relação acabar por causa da ira do pai.

Ela procura desesperadamente um pouso aqui, que tem tardado, recentemente foi também diagnosticado um cancro no pai, mas aparentemente de fácil resolução, uma vez que está numa fase muito inicial. Acontece que ele está a fazer-se aproveitar da sua doença para prender a filha, obrigando-a a ficar em Lisboa. Ou isso, ou então tenta confundi-la, ora propondo empregos que não existem, ora tendo ideias megalómanas, como adquirir terrenos no Fundão, tudo isto com um claro objetivo de me despistar.

Temos vindo a ter discussões bem mais frequentes à conta disto, porque ela está de tal maneira envolvida por medo que tem medo das consequências que podem advir de enfrentar o pai. Para mim é claro que queremos ficar juntos e temos quimica para desenvolver uma família bem mais feliz. Mas noto que ela ainda quer tudo, e ficar com tudo. A personalidade difícil do pai, aliada a alguma falta de pulso dela, estão a faze-la sacrificar-se em prol deles, quando não há valorização daquele lado. As chamadas a distancia tornaram-se mais raras, apenas sendo feitas quando ela vai passear o cão, e geralmente curtas.

Tenho uma relação totalmente aceite e desenvolvida, do meu lado. Já do lado dela, o desenvolvimento é próximo de zero.

João

Retrato de Daniel Morais Cunha
Dom, 11/10/2020 - 14:23
Daniel Morais Cunha:
Membro desde: 11.10.2020

João pareces-me um rapaz excelente e alguém que gosta muito da tua namorada. A tua situação é difícil mas é importante que tenhas consciência que a culpa não é tua e fazes tudo que está ao teu alcance. O teu “sogro” no fundo quer o melhor para a filha e prende-se a uma série de preconceitos merdosos. É muito pouco provável que consigam ultrapassar isso. A verdade é que a tua história é bem mais frequente do que possas imaginar...pais insatisfeitos com as escolhas dos filhos.

A tua namorada é provavelmente a pessoa que mais sofre com a situação, mas com o tempo ela terá de perceber que lhe cabe a ela tomar uma decisão visto a vossa convivência ser impossível. Por vezes a atitude dos pais muda um pouco quando percebem que poderão perder o contacto com a filha...no entanto essa decisão terá de ser sempre dela e não deverás força-la.

Como já alguém disse, A vossa independência é sem dúvida aquilo em que te deves ficar e para o qual deves trabalhar. De resto não te posso dar mais conselhos pois, a meu ver, estás a fazer tudo o que podes para resolver a situação.

Tiveste a sorte de encontrar alguém de quem realmente gostas mas...o azar desta ter um pai tirano. Tenta focar-te na primeira parte 😉 Aproveita quando estás com ela e tenta abstrair-te desse atrito. Não deixes que vá minando a relação.

Retrato de MOPA
Seg, 12/10/2020 - 17:21
MOPA:
Membro desde: 23.06.2015

Olá João,
Vê-se perfeitamente que amas a tua namorada e que queres ficar com ela. Ela também te ama, mas tem um pai tirano que quer mandar na vida da filha, estudos, trabalho, namorados. E ela não sabe o que há-de fazer à vida. Quer ter-te a ti porque és tu que a fazes feliz, e quer ter os pais... num mundo "normal" as duas coisas são compatíveis, no vosso caso nem tanto.
Infelizmente cabe apenas a tua namorada cortar com as garras do pai. Se a situação se mantiver, muito provavelmente ela terá que fazer uma escolha, a felicidade dela ou a vontade do pai. Mostra-lhe que ela pode contar sempre contigo. Diz-lhe que apesar dela ainda não ter trabalho, tu tens e é suficiente para os dois. Podem morar temporariamente na casa dos teus pais. Depois com 2 rendimentos já será mais fácil encontrar uma casa para estarem juntos. Terem a vossa independência. Serem felizes.
Enquanto ela continuar na casa dos pais vai ser influenciada por eles e vocês não irão ter paz.
A minha amiga na situação da tua namorada escolheu ser feliz. Hoje está feliz. Está com a pessoa que ama e tem 2 filhos. Não fala com os pais. Não fala mesmo. Quem fica a perder são os pais dela. Não vêm a filha e não vêm os netos crescerem.
Muita cabeça fria e muita sorte!
Tudo de bom!

Retrato de MOPA
Seg, 12/10/2020 - 17:21
MOPA:
Membro desde: 23.06.2015

Olá João,
Vê-se perfeitamente que amas a tua namorada e que queres ficar com ela. Ela também te ama, mas tem um pai tirano que quer mandar na vida da filha, estudos, trabalho, namorados. E ela não sabe o que há-de fazer à vida. Quer ter-te a ti porque és tu que a fazes feliz, e quer ter os pais... num mundo "normal" as duas coisas são compatíveis, no vosso caso nem tanto.
Infelizmente cabe apenas a tua namorada cortar com as garras do pai. Se a situação se mantiver, muito provavelmente ela terá que fazer uma escolha, a felicidade dela ou a vontade do pai. Mostra-lhe que ela pode contar sempre contigo. Diz-lhe que apesar dela ainda não ter trabalho, tu tens e é suficiente para os dois. Podem morar temporariamente na casa dos teus pais. Depois com 2 rendimentos já será mais fácil encontrar uma casa para estarem juntos. Terem a vossa independência. Serem felizes.
Enquanto ela continuar na casa dos pais vai ser influenciada por eles e vocês não irão ter paz.
A minha amiga na situação da tua namorada escolheu ser feliz. Hoje está feliz. Está com a pessoa que ama e tem 2 filhos. Não fala com os pais. Não fala mesmo. Quem fica a perder são os pais dela. Não vêm a filha e não vêm os netos crescerem.
Muita cabeça fria e muita sorte!
Tudo de bom!

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