Não conseguir amar ninguém! | A Nossa Vida

Não conseguir amar ninguém!

Retrato de psousa24
23.02.2014 | 12:11
psousa24:
Membro desde: 20.02.2014

Será que ter vivido sem afetos por parte de mãe, pai, irmãs, amigos, influenciaram-me a crescer sem conseguir dar afetos aos outros? Muito menos apaixonar-me?

Reparei que nas varias tentativas de relação, que na verdade nunca gostei, nunca amei mas sempre tentei esforçar meu "EU" a gostar... O que não resultava, e quando essas pessoas acabam por se afastar eu nem ficava maguado, fico nas tintas e sigo em frente... Como se fosse frio ao ponto de nem querer saber dos sentimentos dos outros...

Mas eu sei que por trás disso, sou boa pessoa, bom amigo, etc... Mas quando se trata de partilhar afetos ou amor, não resulta comigo... Eu simplesmente sinto que meu corpo não consegue gostar de ninguém... E é por isso que sinto-me cada vez mais carente, mas uma carencia que nunca será resolvida... porque mesmo que quisesse até dar um abraço a um amigo, sinto vergonha de o fazer e sinto que é um abraço falso! Sad

Alguém ja foi assim, ou eu sou o unico assim?

(editado)
Esqueci de dizer que, ao ser assim e ao ver os outros muito apaixonados e a partilhar afetos, sinto nojo ao ver aquilo... E já fiz esta pergunta a mim mesmo: Eu sinto isso porque sou mesmo uma pessoa má ou é inveja?


Retrato de Luisa 1994
Dom, 23/02/2014 - 13:18
Luisa 1994:
Membro desde: 29.08.2012

Ola...

Sou apenas uma jovem de 20 anos, e tal como tu também sinto dificuldade em amar!

Tive apenas um namorado q gostei de verdade, há uns 2/3anos!
E nunca mais tive ninguém, cheguei a interessar.me por uma pessoa, mas o receio falou mais alto e deixei escapar essa oportunidade!

Neste momento sinto essa mesma dificuldade, e faz.me confusão ver gestos de afecto na rua, porque no fundo também sinto falta disso!
Prefiro estar em casa, afogar.me no trabalho e na faculdade, em vez de ir sair com os amigos, pq são só casais, e sinto.me a mais! (Aliás já me chegaram a dizer "vens fazer de vela"..

A minha melhor amiga, era como uma irmã, mas ficou desempregada e entretanto emigrou! Vejo.me um pouco na tua situação também...

Mas não acho que seja por não teres tido afectos, porque normalmente quem njnca os teve, procura.os em alguém, porque o ser humano precisa de carinho, afectos!

Retrato de csofia_
Dom, 23/02/2014 - 13:24
csofia_:
Membro desde: 19.12.2012

Bom dia,
resolvi responder porque infelizmente também me identifico.
Costuma-se dizer que não podemos dar o que não temos. Neste caso não tivemos.
Sinceramente acredito que hajam mais pessoas na mesma situação, uma criança precisa de amor, de afecto, de carinho, de ser abraçada, de receber beijos, de brincarem com ela e sentir que gostam muito dela. Uma vez falei sobre a minha infancia fria à minha mãe e ela respondeu que não tive nada destas coisas mas tive mais roupa e brinquedos que ela, portanto devia estar agradecida. Fiquei em silencio. Infelizmente é sinal da sociedade materialista em que vivemos.

Não sei se também lhe acontece, mas não tenho grandes laços afectivos com os meus pais. Não é vingança, nem rancor, simplesmente não tenho.

Se somos más pessoas? Quero acreditar que não. As vezes penso se devia ter filhos (não sei se também te perguntas o mesmo) porque nao sei se seria capaz de amá-los, e não queria que eles sentissem a solidão sentimental que senti em criança.
Não acho muito saudavel uma pessoa passar a vida a culpar os pais por isto ou por aquilo, temos de trabalhar com o que temos, e nem tudo é mau, uma pessoa nestas condições nunca fica dependente emocionalmente de outra, tem sempre grande independencia nesse aspecto, e sabemos tomar conta de nós proprios (porque sentimos em criança q se não tomássemos, ninguém ía tomar). Portanto nem tudo é mau.

Retrato de bia05
Dom, 23/02/2014 - 13:26
bia05:
Membro desde: 03.10.2010

Fiquei sem palavras porque identifico-me com o k foi dito...

Sem saber o k dizer Sad

Retrato de psousa24
Dom, 23/02/2014 - 13:47
psousa24:
Membro desde: 20.02.2014

Pois Também não sei que mais dizer!
Mas ninguém sabe como resolver isso?
Também tenho tendencias de ouvir muita musica triste para diprimir-me e sentir-me sozinho! =/

Retrato de csofia_
Dom, 23/02/2014 - 13:49
csofia_:
Membro desde: 19.12.2012
psousa24 wrote:

Pois Sad Também não sei que mais dizer!
Mas ninguém sabe como resolver isso?
Também tenho tendencias de ouvir muita musica triste para diprimir-me e sentir-me sozinho! =/

Música melancólica aqui Smile

Retrato de CCO
Dom, 23/02/2014 - 14:41
CCO:
Membro desde: 19.11.2009

Olá!
Está provado que quando as crianças não recebem afetos nem os vêm entre os pais têm muita dificuldade em dar afetos porque nunca aprenderam nem foram ensinados a interpretar os seus próprios sentimentos, o que gera um conflito entre a emoção e a razão (o que é correcto e o que nos foi ensinado como correcto). Contudo estas situações não indicam que a pessoa que não recebeu carinho é incapaz de dar mas apenas tem de ultrapassar este problema que tem consigo mesma...

Relativamente a ti que escreveste o tópico, não és má pessoa por isso, apenas tens dificuldades em mostrar aquilo que sentes e não queres sentir, por medo (parece que não, mas lá no fundo é mesmo medo). O facto de não teres sentido algo forte por alguém um dia não quer dizer que nunca virás a sentir uma vez que aquelas pessoas podiam mesmo não ser as tais pessoas especiais.

Na realidade o que se passa é que para tua proteção acabas bloqueando os teus sentimentos, não deixas que o que está no subconsciente apareça e uma prova desse bloqueio é o sentires nojo quando vês troca de afetos.

Também é possível que o medo esteja relacionado com o facto de outrora o dar afetos magoou-te ou mogoou alguém que te era próximo.

O mais importante é que chegaste cá porque reconheceste que algo de errado se passa (e mais, tiveste coragem de começar a expor sentimentos, porque mostraste a todos nós o que sentias quanto essa situação e o que consegui ver foi muito carinho nas tuas palavras - por estranho que te pareça) e reconheceste que tens um bloqueio... isso é fenomenal porque para sermos curados o primeiro passo é reconhecer que algo de errado se passa e querer ser curado, o segundo é tentar identificar a origem do problema e é nesse que tens de trabalhar agora. Não forces nada porque as coisas acontecem naturalmente, é uma questão de tentares encontrar as respostas e deixar que tudo evolua naturalmente. Dentro de cada um de nós há muito amor para dar, uns já o deixam crescer e são capazes de o dar sem medo outros ainda estão a tentar encontrá-lo e quando o procuram descobrem que ele vai crescendo até se tornar "visível". Aos poucos vais notando isso e a meu ver o vires cá é já o início deste processo, que como disse é gradual e vais ter a teu tempo a capacidade de ir ultrapassando a tua dificuldade.

Se ficaste com alguma dúvida estou aqui para tentar responder.

Retrato de Sofia1984
Dom, 23/02/2014 - 14:59
Sofia1984:
Membro desde: 29.05.2010

Se isto te começa a chamar à atenção é porque, de certa forma, te incomoda.

Tu queres ser uma pessoa que não conseguiste, até agora ser, ou sentes-te feliz por conseguires manter esse muro em tua volta bem em pé?

A mim parece-me apenas um mecanismo de defesa que criaste, para evitar que sejas magoado pelas outras pessoas.

Mas penso que tudo é aprendizagem...até as coisas más que nos acontecem.

A relação dos meus pais nunca foi afável, na verdade eles empre discutiram imenso, e sinceramente não me sinto nem nunca senti privilegiada em questão de afectos.
Diz a psicologia que isso nos afecta emocionalmente, não sei se afecta ou não.

Mas uma coisa posso garantir, tenho muito amor ao próximo e vontade de "proteger" as pessoas... portanto acho que a forma como fomos educados nunca é a única condicionante para sermos quem somos, e o "meio" externo a que estamos expostos também influencia consideravelmente a nossa personalidade...acho que até mais do que a própria vivência em casa.

Uma criança aprende com o exemplo dos adultos, sejam eles quais forem, é por isso que muito daquilo que faço hoje lembra-me a minha avó, a minha tia, a mãe de uma amiga, a senhora da frutaria, alguns professores...Algum dia em algum lugar as nossas vidas se cruzaram com outras pessoas que não os nossos pais e tiramos alguma coisa daquela experiência...
Aprendi se calhar com muitas pessoas que não tinham como função principal "educar-me" que, por exemplo, muito do que os meus pais tinham como "forma de viver" era errado. Porque nós somos "livres" de interpretarmos as nossas vivências de formas muito distintas.

O principal é conseguirmos fazer uma auto análise, percebermos o que não nos faz feliz e eliminar-mos isso da nossa vida.
Quando eliminarmos o que nos faz mal, virá o que nos faz bem (não o oposto, na minha opinião).

"A meta de uma discussão ou debate não deveria ser a vitória, mas o progresso."
( Joseph Joubert )

Madrinha da TCosta, da florzinha C.A.S.C.S. e da espevitada RuteCris
Afilhada da Joanasantosblue

Retrato de sonia isabel c. r.
Dom, 23/02/2014 - 15:51
sonia isabel c. r.:
Membro desde: 08.01.2010

Concordo com muito do que foi dito aqui e participo porque apesar de não sofrer o mesmo mal, há certas coisas que foram descritas essencialmente pela cco que me respondem a pequenas questões.

eu sempre soube que o factor carinho aquando crianças era importante mas como alguém também disse, por vezes o efeito é contrário e em vez de nos fecharmos queremos é o carinho e atenção e muitas vezes vemos certas relações (existe nos dois géneros mas vou sublinhar as mulheres) em que a mulher se ata emocionolmente a um homem abusivo e muita gente não entende porque ela não procura melhor nem o deixa, e do que tenho visto há sempre um factor passado a ver com a infância...costuma falar-se muito do estigma das filhas que perderam o pai ou não tiveram atenção deste e ao crescerem têm determinados traumas e buscam atenção masculina na 1ra figura que aparece ... isto para dizer que apesar de não crer em tudo isto comeco a ver que realmente a infância tem mesmo muita influência no nosso comportamento, pessoalmente também não tive o que se chama mimo ou carinho paternais e o mesmo se passava com os meus pais que não trocavam esses carinhos entre si.

hoje felizmente que vivo um cenário diferente do seu, mas também sinto um pequeno desvio no que toca a certas demonstrações de afectos que me passam ao lado, não por não as saber dar ou querer dar mas quase como uma 'distracão' não há um incentivo por ter tido muito pouco na infância.

deixando de falar de mim gabo-lhe a coragem mais uma vez, de conseguir ver que está de alguma forma danificado emocionalmente nem toda a gente chega lá, preferem achar que são assim e pronto e não querem mudar. já li o seu anterior tópico não participei porque é daquelas coisas que uma pessoa só lhe vai dizer o que já ouviu, mas não concordei nem percebi porque não lhe parece bem ir ao psicólogo..sim são pessoas que muita vez não passaram por isso e só sabem o que vem nos livros e muita vez não sabem nem ajudam muito... mas a forma como fala e do que fala, está muito isolado, e se não tem poder sozinho para confiar em alguém e tentar remendar o que está 'partido' com outra pessoa, não tem mesmo outro modo se não confiar num profissional.
honestamente há profissionais que lhe vão debitar o que aprenderam nos livros, dar-lhe medicamentos ou ficar a ouvi-lo falar horas e registar sumariamente o que diz e vão tentar justificar tudo com a sua infância e sim, n~ão lhe vao ensinar a amar com teoria... isso é garantido. mas também há aqueles que se importam connosco. que pensam com a cabeça e que se interessam mesmo por nos ajudar...

não seremos nós que estamos de fora neste fórum a dar-lhe mais que palavras e opiniões. esse comportamento e forma de estar na vida está-lhe muito enraizado e claramente irá piorar . parece-me que vem tudo da forma como se vê a si mesmo, tal como disse no outro tópico seu, temos de estar bem connosco para estar bem com o mundo...não é cliché, é um facto... enquanto não resolver tudo consigo mesmo, perceber que pode amar, e que tem problemas a resolver não passará daqui. na minha opinião vale o que vale, pode não curá-lo pode não ensiná-lo a nada, epode nem desbloqueá-lo, mas penso ser importante falar com alguém sobre isto, alguém de fora neutro quem sabe lhe desse outra visão e exercícios que ao menos o fizessem conhecer-se a si mesmo melhor.

não posso imaginar o que vive, não mesmo, mas para tudo neste mundo há solução menos para a morte... ainda vai a tempo de tentar superar isto e pode nunca ficar totalmente resolvido mas o que descreve é uma forma de vida que temo dizer-lhe, vai levá-lo à loucura a medida que o tempo passa...agora pode parecer-lhe errado , mas apesar de nascermos sozinhos nenhum ser é feliz sozinho e isolado... e faz bem vir a este fórum podemos não resolver problemas mas há muita gente que lhe dará muito boas palavras e que lhe fará companhia neste problema, mesmo que noutras condições.

'Os fracos vingam-se ,os fortes perdoam e os superiores ignoram.'

Retrato de psousa24
Dom, 23/02/2014 - 16:16
psousa24:
Membro desde: 20.02.2014

obrigado pelos comentarios, mas falta um promenor que não contei que também não ajudou a ser o que sou.

Para além de não ter afetos, sofri de violancia domestica, e também via a minha mãe a levar porrada... Chorava muito no quarto sozinho a olhar para o ceu... E nunca tive um ombro para chorar... Aguentei tudo sozinho.

Mesmo que a minha mãe passa-se pelo mesmo, ela acaba por dar mais atenção ás filhas do que propriamente a mim.

Para além de violência domestica, tambem havia muitas discussões todos os dias por coisas insignificantes... Eu chegava a ficar cansado e frustrato, e então começa a cortar-me, e a fumar ganzas Sad
(Mas ganzas ainda fumo mesmo que esteja bem xD)

Depois na escola, também não tinha amigos e gozavam comigo por cheirar mal... Logo, ninguém se aproximava de mim.
Cheirava mal porque era pobre e nem agua em casa havia para tomar banho, e a roupa que tinha era roupa oferecida dos vizinhos.
Tive uma infancia horrivel, uma adolesgencia horrivel e agora estou a entrar na face adulta que aos poucos vai ficando melhor... Mas sinto que não vou conseguir ter uma vida adulta saudavel se não resolver estes traumas.

Lembro-me de ter 5 anos e meu padrasto dava-me com hortigas no rabo ou então metia-me no banho frio, em ultimo caso metia-me na rua de madrugada, só porque fazia xixi na cama. Sad

Eu sei que para viver o presente feliz, não podemos pensar no passado porque ele vai influenciar o presente e o futuro, mas como esquecer o passado?

=/

Retrato de CCO
Dom, 23/02/2014 - 18:17
CCO:
Membro desde: 19.11.2009

psousa24 wrote: obrigado pelos comentarios, mas falta um promenor que não contei que também não ajudou a ser o que sou.

Para além de não ter afetos, sofri de violancia domestica, e também via a minha mãe a levar porrada... Chorava muito no quarto sozinho a olhar para o ceu... E nunca tive um ombro para chorar... Aguentei tudo sozinho.

Mesmo que a minha mãe passa-se pelo mesmo, ela acaba por dar mais atenção ás filhas do que propriamente a mim.

Para além de violência domestica, tambem havia muitas discussões todos os dias por coisas insignificantes... Eu chegava a ficar cansado e frustrato, e então começa a cortar-me, e a fumar ganzas
(Mas ganzas ainda fumo mesmo que esteja bem xD)

Depois na escola, também não tinha amigos e gozavam comigo por cheirar mal... Logo, ninguém se aproximava de mim.
Cheirava mal porque era pobre e nem agua em casa havia para tomar banho, e a roupa que tinha era roupa oferecida dos vizinhos.
Tive uma infancia horrivel, uma adolesgencia horrivel e agora estou a entrar na face adulta que aos poucos vai ficando melhor... Mas sinto que não vou conseguir ter uma vida adulta saudavel se não resolver estes traumas.

Lembro-me de ter 5 anos e meu padrasto dava-me com hortigas no rabo ou então metia-me no banho frio, em ultimo caso metia-me na rua de madrugada, só porque fazia xixi na cama.

Eu sei que para viver o presente feliz, não podemos pensar no passado porque ele vai influenciar o presente e o futuro, mas como esquecer o passado?

=/

Agradeço a tua partilha. Foram tempos dificeis os que enfrentaste, mas estás a vence-los porque hoje estás aqui a tentar curar definitivamente essas feridas. Quanto ao viver o presente tens razão, só que muitas vezes para curarmos completamente a ferida temos de ir um bocadinho ao passado.
Esquecer não vais esquecer, aquilo que nos magoa pode ser perdoado e assim olhado com uma certa indiferença (sem que o lembrar magoe). Ultrapassares esses sentimentos que agora te acompanham passa muito por olhar para o passado e se te ajudar, descarregar num saco de boxe por exemplo Tens de fazer o luto disso, lembrar, descarregar a energia que está aí dentro a magoar e por fim perdoar o que te fizeram e seguir em frente.
Os homens foram vistos durante muito tempo como o sexo forte que não pode mostrar sentimentos e que "quando cai ao chão" não merece carinho mas um "levanta-te" rude. Isso está errado e também fizeram isso contigo, não porque não gostavam de ti mas porque foi o melhor que sabiam.
Tu sabes mais que o que os teus próximos sabiam/sabem e ao perceberes isto já te estás a "curar" desta dificuldade.
E nunca te esqueças de te sentir amado porque perto de cada um de nós estará sempre alguém que nos valoriza, por vezes só não estamos suficientemente atentos.
Já estás a conseguir!

Retrato de Carolina Lopes Brás
Dom, 23/02/2014 - 20:20
Carolina Lopes Brás:
Membro desde: 19.01.2014

Boa noite, creio que as pessoas que aqui responderam nao perceberam muito bem o que o autor do topico quiz dizer por isso passo a colar um outro topico do mesmo autor. Com isto nao quero "deita-lo abaixo" mas sim dizer que este jovem tem realmente serios problemas psicologicos no meu ver e deveria tratar da sua saude mental o quanto antes: http://anossavida.pt/forum/problema-nivel-apetite-sexual-orientacao-sexual
Editei para dizer que nao sou uma pessoa preconceituosa mas acho que uma pessoa que vive assim revoltada e com raiva de tudo e de todos precisa de ser seguida por um especialista.

Carpe diem

Retrato de silent
Dom, 23/02/2014 - 20:59
silent:
Membro desde: 05.07.2009

..........bem...eu passei muito mesmo na minha vida....a mim o sexo não me faz tanta falta tambem na verdade...já tive 4 relações e nunca deram em nada porque acho que prefiro ser apenas mãe e não mulher, mas realmente deves de ser visto..tal como eu fui, levei porrada em pequena ia com a minha mãe encontrar me com o amante dela tinha eu 3 anos apenas....a minha mãe trabalhava na boate e não vejo os teus motios para sentir nojo ou whatever como dizes....a meu ver nada do que passei foi uma influência visto eu hoje ser uma exelente mãe e a minha nunca foi...vai a um psicologo para te encontrares, não é por mal estar a dizer isto, eu tive de ir porque pronto...não quero relações quero apenas ser mãe, e revê tambem o teu estaturo sexual Smile

silent

Retrato de psousa24
Dom, 23/02/2014 - 21:22
psousa24:
Membro desde: 20.02.2014
Carolina Lopes Brás wrote:

Boa noite, creio que as pessoas que aqui responderam nao perceberam muito bem o que o autor do topico quiz dizer por isso passo a colar um outro topico do mesmo autor. Com isto nao quero "deita-lo abaixo" mas sim dizer que este jovem tem realmente serios problemas psicologicos no meu ver e deveria tratar da sua saude mental o quanto antes: http://anossavida.pt/forum/problema-nivel-apetite-sexual-orientacao-sexual
Editei para dizer que nao sou uma pessoa preconceituosa mas acho que uma pessoa que vive assim revoltada e com raiva de tudo e de todos precisa de ser seguida por um especialista.

Eu percebo que lá no fundo precise de um psicologo, até porque, sei perfeitamente que estou em depressão...

Mas, porque a vida não é facil?
Perferia resolver os meus problemas sozinho, sem estas complicações!
Até porque, não vejo o que um psicologo pode ajudar com meias palavras, para isso basta ler os comentarios aqui no forum de auto ajuda...

Retrato de Carolina Lopes Brás
Dom, 23/02/2014 - 22:32
Carolina Lopes Brás:
Membro desde: 19.01.2014

A vida e mesmo assim, e nao conheço ninguem que tenha ultrapassado uma depressao sozinho. tens que procurar a tua felicidade e na minha opiniao libertar mais a tua mente porque parece que tens preconceito de ti proprio. nao te preocupes tanto com o que os outros pensam. so temos uma vida aproveita a bem.

Carpe diem

Retrato de Sofia1984
Dom, 23/02/2014 - 23:03
Sofia1984:
Membro desde: 29.05.2010

Queres esquecer o passado e ser uma pessoa merecedora do carinho dos outros, terás de aprender a amá-las.

Queres um conselho de auto-ajuda? Para tentares sozinho?

Experimenta a sensação pura de ajudares alguém. Deixa-te sentir a felicidade estampada no rosto de alguém com fome quando lhe pagas uma simples refeição quente, ou quando és simpático com alguém na rua.
Dá os bons dias no café, como se fosse o teu último dia.
Oferece o teu lugar no autocarro.

Ajuda a velha a atravessar a rua e deixa-a agradecer-te, dá de comer a um cão vadio e vê a alegria dele a comer, repreende o miúdo que atravessa a rua a correr sem olhar se vêm carros.

Ajuda a vizinha a carregar as compras, apanha uma lata do chão e mete-a no lixo.
Agradece com a mão estendida a quem te ceder passagem na passadeira.

Faz-te à vida, faz-te útil, usa-te como pessoa, membro desta sociedade e agarra a vida pelos cornos.

Faz os outros felizes com as pequenas cenas do dia a dia.

Sinceramente, para mim não há melhor terapia que a de existir e fazer-se ver desta forma.

"A meta de uma discussão ou debate não deveria ser a vitória, mas o progresso."
( Joseph Joubert )

Madrinha da TCosta, da florzinha C.A.S.C.S. e da espevitada RuteCris
Afilhada da Joanasantosblue

Retrato de psousa24
Dom, 23/02/2014 - 23:38
psousa24:
Membro desde: 20.02.2014
Sofia1984 wrote:

Queres esquecer o passado e ser uma pessoa merecedora do carinho dos outros, terás de aprender a amá-las.

Queres um conselho de auto-ajuda? Para tentares sozinho?

Experimenta a sensação pura de ajudares alguém. Deixa-te sentir a felicidade estampada no rosto de alguém com fome quando lhe pagas uma simples refeição quente, ou quando és simpático com alguém na rua.
Dá os bons dias no café, como se fosse o teu último dia.
Oferece o teu lugar no autocarro.

Ajuda a velha a atravessar a rua e deixa-a agradecer-te, dá de comer a um cão vadio e vê a alegria dele a comer, repreende o miúdo que atravessa a rua a correr sem olhar se vêm carros.

Ajuda a vizinha a carregar as compras, apanha uma lata do chão e mete-a no lixo.
Agradece com a mão estendida a quem te ceder passagem na passadeira.

Faz-te à vida, faz-te útil, usa-te como pessoa, membro desta sociedade e agarra a vida pelos cornos.

Faz os outros felizes com as pequenas cenas do dia a dia.

Sinceramente, para mim não há melhor terapia que a de existir e fazer-se ver desta forma.

Sim, percebo perfeitamente essa ideologia, parece-me giro e muito carinhoso existir pessoas assim.

Acontece que fazer essas coisas não bate certo com a minha pessoa, e já que também nunca fui ajudado quando era novo, para quê ajudar os outros?

Fui maltratado, gozado, driscriminado, e o que tenho da sociedade é raiva e de certa maneira vontade de mandar uma bomba e morrer tudo!
Claro que, tenho a sorte de me ter agarrado à pessoa boa que há dentro de mim, que nunca deixaria eu agir dessa maneira agressiva... Aliás, detesto a violencia...
Mas sempre pensei nela nos meus pensamentos para matar os meus inimigos, mesmo que fosse só imaginario, mas ajudava a pensar que os tinha matado. E que finalmente estaria livre! Mas infelizmente não, eles vontavam cada vez mais...

Eu percebi que a tua intenção é ajudar e agradeço a ti e a todos, mas eu sinto que não consigo ser mais daquilo que já sou, e é só esperar o dia da minha morte, até porque, eu nunca deveria ter nascido...

Este mundo, esta sociedade, esta cultura, tudo isto sufoca-me, nada disto faz parte de mim, não faço parte de nada nem de ninguém!

Retrato de Sofia1984
Dom, 23/02/2014 - 23:55
Sofia1984:
Membro desde: 29.05.2010
psousa24 wrote:

já que também nunca fui ajudado quando era novo, para quê ajudar os outros?

para quê ajudar os outros se foste maltratado:

Para fazeres alguma coisa "por ti abaixo", diferente do que aqueles parolos fizeram contigo, e que te deixou neste estado de vegetal autêntico.

Para contribuires para que não exista mais ninguém que se lamente por ter-se tornado num autêntico bicho do mato, e para que os outros se queiram aproximar de ti, não pelos teus lindos olhos, mas pela pessoa de carácter em que te poderás tornar.

Porque o mundo não és só tu, nem só os teus problemas e as tuas ganzas.

Porque tu és quem fores, mas não estás aqui por acaso- se queres ser a merda que foram contigo com os outros, não serás melhor.
A merda que fizeram contigo ainda não te levou a lugar nenhum, nem a ninguém...
A merda que os outros são tu não tens que ser.

Desculpa "mano", mas precisas de terapia de choque.

"A meta de uma discussão ou debate não deveria ser a vitória, mas o progresso."
( Joseph Joubert )

Madrinha da TCosta, da florzinha C.A.S.C.S. e da espevitada RuteCris
Afilhada da Joanasantosblue

Retrato de psousa24
Seg, 24/02/2014 - 00:02
psousa24:
Membro desde: 20.02.2014
Sofia1984 wrote:
psousa24 wrote:

já que também nunca fui ajudado quando era novo, para quê ajudar os outros?

para quê ajudar os outros se foste maltratado:

Para fazeres alguma coisa "por ti abaixo", diferente do que aqueles parolos fizeram contigo, e que te deixou neste estado de vegetal autêntico.

Para contribuires para que não exista mais ninguém que se lamente por ter-se tornado num autêntico bicho do mato, e para que os outros se queiram aproximar de ti, não pelos teus lindos olhos, mas pela pessoa de carácter em que te poderás tornar.

Porque o mundo não és só tu, nem só os teus problemas e as tuas ganzas.

Porque tu és quem fores, mas não estás aqui por acaso- se queres ser a merda que foram contigo com os outros, não serás melhor.
A merda que fizeram contigo ainda não te levou a lugar nenhum, nem a ninguém...
A merda que os outros são tu não tens que ser.

Desculpa "mano", mas precisas de terapia de choque.

Sim, preciso de tereapia de choque mas de eletricidade da pomada para desaparecer de vez!
Acho que vou tentar, nunca tinha pensado nessa!

Retrato de joan_
Seg, 24/02/2014 - 00:43
joan_:
Membro desde: 08.07.2013

Depois de ler este teu último comentário... que horror! Aquilo que te fizeram não tem desculpa... como conseguiste aguentar?
Com uma infância assim, não admira que tenhas marcas profundas ao nível emocional... é muito complicado!
Como já te disseram acima, se calhar devias procurar ajuda de um profissional, de um psicoterapeuta, para te ajudar a superar esses traumas... Infelizmente não conheço nenhum, mas pode ser que alguém daqui conheça alguém indicado para te ajudar!
Lamento muito o que te aconteceu.. espero que consigas superar!
Abraço!

Retrato de psousa24
Seg, 24/02/2014 - 14:32
psousa24:
Membro desde: 20.02.2014
joan_ wrote:

Depois de ler este teu último comentário... que horror! Aquilo que te fizeram não tem desculpa... como conseguiste aguentar?
Com uma infância assim, não admira que tenhas marcas profundas ao nível emocional... é muito complicado!
Como já te disseram acima, se calhar devias procurar ajuda de um profissional, de um psicoterapeuta, para te ajudar a superar esses traumas... Infelizmente não conheço nenhum, mas pode ser que alguém daqui conheça alguém indicado para te ajudar!
Lamento muito o que te aconteceu.. espero que consigas superar!
Abraço!

Eu vou ao centro de saúde e pedir acompanhamento psicológico. Acho que é o melhor

Retrato de flavio123
Sáb, 08/03/2014 - 23:36
flavio123:
Membro desde: 15.07.2013

Acabei de ler este topico e foi como se tivessem a contar parte da historia da minha vida.

Sempre fui um gajo calmo e calado, gosto de conhecer uma pessoa antes de lhe dar muita confianca e isso reduziu-me o circulo de amigos, bem sao poucos mas bons.

Adiante nunca tive uma relacao seria com ninguem, claro ja houve uns namoricos com uma ou outra rapariga, mas ate ao ano passado nunca tinha acontecido uma coisa: uma rapariga que trabalha comigo ficou vidrada em mim, por acaso ja tinha reparado nela e tudo.
Nao se riam do que vou dizer a seguir, eu devo ser meio cego porque nao "reparei" na situacao a tempo, quando abri os olhos e me cheguei a frente ja foi tarde de mais, isto passou-se a pouco mais de um ano e neste momento ha uns certos olhares que me deixam na duvida... sera que devia de dizer algo? E se levar um TOMA, sera que aguento a rejeicao?
Vou dedicarme ao euromilhoes.

Adiante, percebo perfeitamente que te sintas "imune" aos sentimentos dos outros, nao ha nada de errado contigo, no meu ponto de vista no apenas nao tivemos aquele tipo de amizades proximas.

Se precisares de conversar e so dizer.

Retrato de silent
Seg, 10/03/2014 - 20:54
silent:
Membro desde: 05.07.2009

Flavio o que tens a perder??? tenta mas é a tua sorte não sabews se ela não é a tal xD,nós mulheres somos muitooooo complicadas mesmo mas por vezes lá vos surpreendemos certo? não olhes para trás e fala com ela na boa como amigos e depois logo vês como o resto corre Smile

silent

Retrato de psousa24
Qui, 16/01/2020 - 15:59
psousa24:
Membro desde: 20.02.2014

Tópico que criei em 2014.
Praticamente 6 anos depois de tudo o que aqui foi falado cheguei a uma conclusão: Não houve nenhuma melhoria, na verdade, estou cada vez pior!

Estive mais de 5 psicólogos durante estes anos e não melhorei em nada...
Basta verem os Meus tópicos recentes!

Estou cada vez mais só!
Cada vez mais a ponto de me suicidar.

Acabar com a vida agora antes que venha mais 6 anos e volte aqui a criar novos tópicos deprimentes.

Já cheguei à conclusão que meus transtornos psicológicos (Que são muitos - Depressão cronica - Alexitimia - Anedonia) não tem cura!
Tomava medicação, mas visto que continuava deprimido na mesma e a gastar dinheiro em medicação, acabei por deixar a medicação e poupar dinheiro.

É triste ver o tempo passar e reparar que não melhorei em nada.

Enfim

Retrato de Gaivoto
Sex, 17/01/2020 - 19:18
Gaivoto:
Membro desde: 31.12.2015

Penso que as descrições aqui feitas se podem enquadrar perfeitamente numa disturbio mental (é na verdade isso) chamado "Borderline Personality Disorder" BPD. Façam uma busca no google e vão enncontra um ocenao de informação.

A BPD é uma doença que se considera na órbita do autismo, mas não tão severa., obviamente. Não tem cura , tanto assim que muitas companhias de seguro nos EUA não comparticipam tratamentos, e também muitos psiquiatras "não gostam" de a tratar pois a condição ainda não está bem definida.

Básicamente as pessoas com BPD podem ter tido uma infância em que não houve validação emocional por parte dos progenitores, a criança optou por reprimir as suas emoções. Muitas vezes foi vítiima de manipulação emocional. O BPD é, no fundo, uma manifeção de uma estratégia de defesa que a criança usou para "sobreviver". Ficará para o resto da vida.

O espectro da doença é muito variado, mas um dos aspectos mais marcantes é as dificuldades que estas pessoas vão ter nos relacionamentos ao longo da vida. Os BPD têm tendência a ver o mundo a preto e branco, as pessopas, na sua perspectiva ou são anjos ou demónios, compartimentam assim a vida, São capazes de "adorar" alguem atribuindo-lhe qualidades que não existem e ao mesmo tempo colocar na gaveta do lixo outras pessoas segundo critérios muito confusos para quem está de fora.

São pessoas de impulsos, sem meio termo, por vezes partem para a violência impulsiva. Algumas pessoas BPD têm uma variedade da doença que as leva a ser sexualmente promíscuas, outas têm tendência para o suícidio e auto-punição. Mas iestes trajeitos não são gerais.

Curiosamente (os BPD são um universo de surpresas) estas pessoas têm uma lealdade e um apego às próprias famílias que os negligenciáram.

Têm dificuldade em estabelecer e manter relacionamentos pois num mundo onde as pessoas ou são anjos ou demónios ( da perspectiva BPD) , mesmo que encontrem um anjo, rápidamente concluem que afinal é um demónio e vai para essa gaveta.

Estas pessoas são muitas vezes de ukma lealdade extrema nas relações de amizade, ao ponto de se colocarem numa posição de se deixarem ser manipuladas, como se queressem reviver o drama da sua infância. Para os parceiros e amigos os BPD são uma caixa de surpresas, as relações tornam-se desgastantes, uma montanha russa.

O redit tem tuma entrada só frequentada por BPD´s, acho que todoas as pessoas que se relacionam com eles deviam ler

Retrato de psousa24
Seg, 20/01/2020 - 16:01
psousa24:
Membro desde: 20.02.2014

Já pensei que poderia ser Borderline mas existe certas cenas que não se enquadram.

Não tenho mudanças de humor de hora para hora, nem sequer tenho surtos, não sou violento, não tenho qualquer apego à minha própria família que me negligenciou (Aliás, evito-a ao máximo), e também não tolero ser manipulado seja por quem for...

Já as que são verdadeiras: É ver a vida preto e branco, ver as pessoas como "boas" ou "más" ! Tendência para o suicídio e auto-punição.

Li na net, que o maior medo do Borderline é ser rejeitado, ou ser abandonado na qual faz tudo para que isso não aconteça. O que acontece comigo é exactamente isso mas só tem uma ligeira diferença: Eu não faço nada para as pessoas não me abandonarem, simplesmente se a pessoa não quer estar comigo, OK e sigo em frente. É o mesmo que já não esperar nada de ninguém... Sou uma pessoa que simplesmente deixei de me importar com os outros mesmo que o afastamento dessas mesmas pessoas acabe por me fazer sofrer. Significa que não precisam de mim, e assim, alimento os meus pensamentos negativos: De que eu sou insignificante! Que irei estar sempre sozinho! Ninguém gosta de mim! Etc...

Minha maior dificuldade é e sempre será, entender o outro, no que o outro quer perante a minha amizade. O que é suposto fazer? Dizer? E muitas vezes eu próprio acabo por ser algo meio "Robotizado" sem muita expressão, sem qualquer afectividade e pior, com poucos interesses na vida . O que faz com que o outro acabe por não ter nenhum interesse de ser meu amigo depois de me conhecer, porque eu não tenho nada para oferecer a ninguém, nem a mim mesmo eu dou (Não gosto de ser quem sou) quanto mais aos outros!

Têm de perceber esta falha enorme em mim: Desde criança que nunca mostrei afectos a ninguém! Muito menos chorar à frente de alguém! Sempre fui visto como o menino "caladinho" / "O que não fala" Mesmo tido irmãs mais novas, não partilhava-mos afectos, era cada um no seu quarto. Eu cresci toda a minha infância e adolescência fechado na minha dor, na qual não tinha meios para amenizar a dor, muito menos a quem falar sobre ela. O que significa que aceitei a dor como ela era e assim vivi... Constantemente em dor, todos os dias...

Eu pensei que tentar suportar essa dor, fechado no meu quarto, não falar com ninguém... Não teria interferências na vida adulta:( Aliás que criança alguma vez iria saber isso?) Eu simplesmente pensava que um dia tudo iria parar quando deixa-se de viver naquela casa com família disfuncional. Mas, logo que finalmente consegui sair, vim a descobrir que ao longo de toda a minha infância e adolescência na qual vivi fechado demais na minha dor, acabou por danificar e muito a minha vida adulta. Ou seja, se eu soubesse isto mais cedo, eu provavelmente não teria mentido quando era mais novo quando tive perguntas sobre como era a minha família na escola. Mesmo tendo tido psicólogo na escola, eu omitia certas coisas, tinha medo e vergonha de contar a verdade...

Até porque, toda a historia de que eu alguma vez pudesse contar nos psicólogos nessa altura, iria ser na verdade, meio mentira. Ou seja, só ao fim de 30 anos é que conseguimos saber a verdade dos acontecimentos familiares. Isto aconteceu porque minhas irmãs fizeram uma "busca" ao passado e descobriram certas coisas que finalmente ficou explicado porque ocorreram... Só para terem a noção, quando soube da verdade toda, ainda tentei ser forte mas passado 2 ou 3 dias, acabei por chorar... Nunca pensei voltar a chorar pelas historias do passado novamente. Mas acho que o que fiz foi um luto ao passado!

Porque chorei? Decepção
Meu padrasto era violento, discutia muito, também batia na minha mãe e em mim.
Meu padrasto tinha tudo para ser o antagonista da historia e lá ficou por muitos anos na figura perigosa... Mas aos fim de 30 anos, descobrir que afinal toda a culpa não era nada mais do que da minha mãe: foi algo meio problemático. Foi como interpretar a historia de outro ponto de vista e os resultados foram surpreendentes.

Resumindo: Minha mãe andada basicamente a trair o meu padrasto, e a vizinhança ás vezes percebia e avisava o meu padrasto. Claro isso causou discussões em casa. Mas aqui está a chave do problema: Minha mãe sempre agiu como se fosse vitima da má língua, contava-nos a mim e ás minhas irmãs que o "pai" achava sempre que ela trai-o com outros homens. Ela fez-nos acreditar de que era boazinha e que não tinha culpa de nada, que era devaneios do "pai" . Ou seja, manipulou-nos para nós não gostar-mos do "pai" e pior: Quando "pai" ficava mais furioso e começava a bater-nos (Ele fazia isso por achar que nós sabíamos que a mãe tinha outros e deixávamos) , o real problema está aqui: Minha mãe na realidade sabia que era ela que causava os problemas, agia como vitima para os filhos e depois quando "pai" batia, ela não fazia nada porque assim o "pai" estava entretido a descarregar a raiva encima dos filhos e não dela!

Ao fim de 30 anos é que percebi o quanto tinha sido manipulado por ela que por sua vez, fui o saco de boxe da raiva do meu padrasto que sempre pensou que eu sabia das cenas mas na realidade EU e minhas irmãs, NÃO tínhamos nada haver com aquela *erda e levamos por tabela. sem duvida que a criança que mais sofreu com isto tudo fui eu. Porque lá está, eu tinha um quarto só para mim. Minhas irmãs ao partilhar quarto acabaram por dar suporte emocional uma à outra, o que foi algo benéfico. Já eu, só tinha que me refugir no quarto sozinho.

A decepção está ai: Ter tido uma mãe que nunca me amou, para além disso ainda manipulou me para achar que era a "boazinha" da fita e ainda deixou claramente eu ser vitima da violência física e psicológica por parte do padrasto para ela se proteger a ela própria.

Por causa destas *erdas, eu sou o que sou hoje.

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