O inicio do fim... | A Nossa Vida

O inicio do fim...

Retrato de dnvg
06.07.2014 | 01:53
dnvg:
Membro desde: 06.07.2014

Viva,

estou actualmente naquele período doloroso de pré-divórcio, onde tudo me passa pela cabeça e onde existe uma grande luta interna entre o lado que quer sair do barco o mais rapidamente possível e o outro lado que quer continuar a remar, ainda que com a maré muito forte.

Estou actualmente casado há 9 anos com 3 de namoro e tenho um lindo filho de 2 anos, bastante traquinas mas que é um fofo e que transmite muito carinho e empatia por onde passa.

A relação no inicio aparentava estar bem, com altos e baixos como todos os casamentos e algumas discussões pelo meio. Nas discussões era quase sempre eu que cedia pois ela queria sempre fazer as coisas à sua maneira. Mas lá se ia vivendo confortavelmente com a rotina diária e férias.

O problema na relação complicou-se com o nascimento do nosso filho, que por questões de presença contínua e doença precoce acabou a desviar toda a atenção da mãe para o seu cuidado.

A minha esposa simplesmente passou a ser mãe galinha e passou a proteger a cria com dentes e unhas, mesmo que para isso entre em discussões com o marido. Tudo bem, isso até aceitei como normal. Muitas discussões se geraram porque ela queria fazer as coisas à maneira dela, mesmo contra ordens médicas.

Enfim, a criança foi crescendo e estas questões foram-se atenuando.

Relativamente à relação em si...o sexo reduziu bastante, 1 vez por mês, isto quando havia vontade da parte dela, sempre cansada ou sem vontade. Quando havia, só em posição missionário (e algumas variantes), nada de preliminares (sim, ela não gosta de preliminares...) e da forma mais monótona possível. Só de luz apagada.

Para além disso ela tem mau feitio e após o nascimento este...piorou muito mais. Ao longo do tempo tenho tentado falar com ela sempre tentando fazê-la ver que a forma dela falar e agir não são as mais correctas, ao que ela dificilmente acede e que passado algum tempo volta tudo ao mesmo. Quando falo em mau feitio refiro-me a bocas foleiras e que magoam (e puxam coisas do passado), constante falta de paciência, responde com sete pedras na mão a qualquer pergunta e é de se chatear por coisas insignificantes, mesmo que tenham sido feitas por mim com boa intenção. Se houver 2 formas de interpretação de um evento, ela escolherá sempre o lado mau. É explosiva e bastante directa a dizer as coisas, mesmo que doam. Exige muito dos outros, mas para si ninguém lhe pode exigir nada.

Para além disso é uma pessoa com muito pouca iniciativa, sobretudo para sair, só sabe dizer não às minhas propostas. Prefere ficar em casa, a dormir ou nos seus afazeres. Cada vez mais noto que temos menos coisas em comum, que temos feitios e interesses completamente distintos. Eu calmo e ponderado, ela instável e precipitada. Gosto de cinema e música, ela não liga nada a isso. Não tem hobbys que lhe conheça sem ser o Facebook. Não gosta de animais, eu já gosto, sobretudo de cães (algo que ela abomina). Costuma-se dizer que pólos contrários se atraem, mas julgo não ser este o caso...

Para ajudar à festa a gravidez trouxe-lhe um enorme aumento de peso e volume, que após o nascimento não baixou. Não se preocupou com o excesso e acha que está muito bem assim, ainda que quase toda a roupa não lhe sirva. Quando se despe à noite ou quando estamos na praia já me custa a olhar para ela, com o seu duplo avental na barriga ou o duplo queixo, bem como as costas em forma de corcunda. Perdi quase todo o desejo sexual por ela. Está tudo bem no entender dela...

Tentei fazer-lhe ver a situação e fazer alguma coisa para mudar, através de dieta e ginásio, ao que rapidamente se recusou e que eu é que tinha de a aceitar como ela estava. Outro péssimo hábito dela é não se saber vestir, anda sempre com as peças mais básicas que encontrar (calças de ganga e t-shirt por ex), apenas e só se veste um pouco melhor para o trabalho. Nem nas ocasiões especiais entre nós se digna a colocar uma pecinha que me agrade. Nada. Isto denota um total desleixar na relação e sobretudo um deserespeito por mim. Trata-me muitas vezes abaixo de cão e por vezes em frente a amigos em comum. Está sempre a resmungar com tudo e com todos, sempre a criar conflitos com as pessoas. Nada está bem para ela e ninguém é pessoa de bem para ela.

Eu sou uma pessoa educada e muito raramente insulto ou provoco as pessoas e tento jogar com a razão. Ao nível físico sou bem parecido e com corpo atlético, musculado e bem definido. Julgo que sou nada de deitar fora e tento cuidar minimamente da minha aparência.

Ajudo o que posso em casa, tiro e ponho a loiça na máquina, estendo a roupa, ponho o lixo na rua, faço as camas, aspiro, cuido da criança, visto-a de manhã e dou-lhe banho à noite, mudo-lhe as fraldas sem problema, entre outras tarefas. Faço bricolage e reparações em casa e nos automóveis.

Não tenho mais nenhuma pessoa na minha a não ser ela, por isso traição não passa pela minha cabeça.

Com toda este stress e rotina diária (acordo às 6h todos os dias) tentei apimentar um pouco a relação e tentar fugir à rotina comprando-lhe uma lingerie engraçada...assim que a recebeu, desdenhou a oferta e nunca a usou. Tenho também tentado colocar o miúdo na casa da sogra periodicamente para ficarmos sozinhos, ao que ela respondeu com um rotundo Não! Chega a casa, é dar banho, jantar e cama directamente com a criança.

Fizemos 9 anos de casado há poucos dias e ela foi ter comigo como veio do trabalho, sem nada a acrescentar para mim, nem roupa, nem lingerie, nem maquilhagem. Tivemos um óptimo jantar de marisco com direito a bouquet de flores entregues directamente no trabalho. Metemos o miúdo na sogra por insistência minha e chegados a casa...nada. Vestiu o pijama velho de sempre e virou-se para o lado como se estivesse totalmente cansada do dia. Para ela foi como se fosse um dia como os outros.

Fiquei chateado com ela e acabámos por discutir nesse dia, não chegando a nenhum consenso. Eu fui dormir para o sofá. Ela simplesmente diz que não tem nada a retribuir e que se eu tiver mal, que me mude. Escusado será dizer que virámos costas e até agora tem sido apenas falar o mínimo indispensável.

Por estas e muitas outras razões aqui não enumeradas vejo-me na eminência de tomar uma decisão complicada de terminar 9 anos de relacionamento debaixo do mesmo tecto. Com um filho pequeno em comum vai custar-me imenso sair de casa, mas estou de tal forma desesperado que não vejo outra alternativa...o pior é que ainda gosto dela.

O que vocês acham? Estarei a fazer uma tempestade num copo de água? Ou devo colocar-lhe um par de patins o mais rapidamente possível?


Retrato de aimc44
Dom, 06/07/2014 - 10:36
aimc44:
Membro desde: 02.09.2012

faltava ouvir o outro lado da historia.

A mim parece-me que ela está com baixa autoestima e amargurada com a vida.

Retrato de dnvg
Dom, 06/07/2014 - 10:55
dnvg:
Membro desde: 06.07.2014

Mas uma pessoa com baixa auto-estima não deveria saber falar sobre isso abertamente? Não esquecer que ela é muito directa sobre qualquer assunto que a chateia.

Não deveria tentar ao menos lutar para mudar? Assumir? Deixar ajudar? Agora agir como se estivesse tudo bem é para mim complicado... Toda e qualquer tentativa de motivação e melhora por minha iniciativa cai normalmente em saco roto...

Uma relação a 2 é saber dar e também receber, mas só vejo a ir num sentido...

Retrato de aimc44
Dom, 06/07/2014 - 11:46
aimc44:
Membro desde: 02.09.2012

já falaram mesmo a sério sobre o divorcio?
ela ainda terá os mesmos sentimentos por si?

nos mulheres temos o pessimo habito de desleixar quando temos filhos.

Retrato de dnvg
Dom, 06/07/2014 - 14:06
dnvg:
Membro desde: 06.07.2014

Sim, já falamos sobre o assunto e ela não aceita o divórcio porque julga que não há motivos para tal. Cheguei inclusivamente a redigir e a enviar-lhe as minutas para ela ler para fazer-lhe crer que era a sério. Não surtiu efeito...

Quanto aos sentimentos, há dias em que parece que ainda nutre algo por mim, a maior parte...não.

Noto que a atenção e amor estão direccionados praticamente em exclusivo para o filho, mesmo apesar de lhe dar essa indicação.

Retrato de sonia isabel c. r.
Dom, 06/07/2014 - 14:42
sonia isabel c. r.:
Membro desde: 08.01.2010

Outra questão... vejo-o a enumerar defeitos e coisas que pioraram muito com o nascimento do vosso filho...

já tentou fazer uma lista do que o fez apaixonar-se por ela?o lado bom e positivo ?ou não havia?algo os deve ter aproximado e deviam procurá-lo , não me parece que uma pessoa que se 'faz' interessante e se cuida e tem interesses se fosse apaixonar por alguém tão amargo e negativo...

'Os fracos vingam-se ,os fortes perdoam e os superiores ignoram.'

Retrato de sphiren
Dom, 06/07/2014 - 14:52
sphiren:
Membro desde: 04.09.2011

Houve algumas pontas soltas no seu tópico. Sinto que com a outra versão a história estaria completa. Isto é, eu concordo quando dizem que ela provavelmente estará amargurada. Não acredito que tenha sido algo especifico e suficientemente avassalador para essa consequencia mas sim um conjunto de eventos negativos que a levaram a isso. Muitas vezes o deslexo de uma mulher num relacionamento e o deixar-se ficar gorda acontece quando subconscientemente a mulher não quer intimidade com o marido. Isto pode ter muitas causas tais como saber que o marido foi infiel, pensar que a relação não tem futuro, que não é amada ou sentimentos identicos. Não digo que é o caso. Mas algo que a possa ter conduzido a isso terá que ser analisado. Ela pode ser frontal até certo ponto. Poderá haver muita coisa que ela não tenha coragem de assumir perante você nem pra ela mesma (por exemplo). Coisas que por norma em terapias, os profissionais puxam ao cimo para que esses obstaculos possam ser derrubados. Fale com ela abertamente, pergunte o que fez de errado, mostre que assim as coisas não podem continuar e proponha terapia de casal se necessário ou divórcio (dê-lhe a escolher o vosso futuro, seja assim directo com ela e mostre-se decidido).
Boa sorte

Retrato de dnvg
Dom, 06/07/2014 - 17:16
dnvg:
Membro desde: 06.07.2014
sonia isabel c. r. wrote:

Outra questão... vejo-o a enumerar defeitos e coisas que pioraram muito com o nascimento do vosso filho...

já tentou fazer uma lista do que o fez apaixonar-se por ela?o lado bom e positivo ?ou não havia?algo os deve ter aproximado e deviam procurá-lo , não me parece que uma pessoa que se 'faz' interessante e se cuida e tem interesses se fosse apaixonar por alguém tão amargo e negativo...

Nunca fiz listas nem nada que se pareça, apenas tento ponderar o presente e verifico que não me sinto feliz. Nunca fomos consensuais na nossa maneira de ser e agir, mas as diferenças absorviam-se bem. Ela tem pontos positivos que sempre valorizei, mas a balança tem continuamente balanceado cada vez mais para um lado negativo.

Diz-se que o diálogo é a solução para as relações, mas no nosso caso não tem resultado, nunca se chega a consenso sem ter eu de ceder...

Retrato de sonia isabel c. r.
Dom, 06/07/2014 - 17:36
sonia isabel c. r.:
Membro desde: 08.01.2010

Sendo assim, sendo que não consegue já visualizar o bom e o positivo eu diria que duas pessoas infelizes juntas é pior que duas pessoas separadas em busca do que as faz feliz... por isso acho que vou tomar o lado que lhe diria que deviam separar-se.

Porquê?Não só pelo óbvio pois está infeliz e ela está digamos 'nem aí' pelo que nos conta, também porque mais tarde essa dinâmica irá afectar o vosso filho, pessoalmente eu fiquei bem mais feliz quando os meus pais se separaram após presenciar anos dum casamento muito infeliz. Acho que as trÊs partes abonariam e não só, para além disso tudo, quem sabe esse afastamento não a fará ver o que realmente se passa?Veja que pelo que nos conta (atenção que também acho que há sempre dois lados da história mas temos de responder a si neste caso) ela até se pode ter conformado, já pensou que faz de tudo pela relação, faz coisas em casa, tenta dinamizar e tenta trazer novidade e até estar a sós com ela , e ela não só não ajuda como corta também esse espírito... talvez o desleixo e tudo mais venha duma habituação e comodidade que lhe deu..

O que acho realmente grave é como relata a forma que ela se desligou de tudo a ponto de nem ligar à ameaça do divórcio... como disseram algo se passa com ela interiormente que nem ela mesma vÊ... muita gente dentro duma depressão não se considera deprimido simplesmente porque deixam de ver o mundo da forma como uma pessoa 'estável' vÊ... é normal que ela não o pense nem admita... por isso ela precisa de terapia acima de tudo pessoal e depois de casal... e você precisa optar pela separação pelo menos por uns tempos pois ela não irá ceder a ameaças , já que até agora não as levou ao fim...

'Os fracos vingam-se ,os fortes perdoam e os superiores ignoram.'

Retrato de Osha
Dom, 06/07/2014 - 17:45
Osha:
Membro desde: 27.08.2012

Olá, vendo a situação pelo prisma que apresenta ela não está mesmo a esforçar-se. E, claro, ela também pode ter as suas queixas mas se as tiver poderia falar consigo o que me parece que não faz pelo seu relato...Assim só consigo entender que provavelmente ela já não nutre um amor assim tão forte, senão esforçava-se por manter a relação ou no mínimo explicar o que está mal e falar..
O facto de alguém ter dito que devia enumerar as virtudes pelas quais se apaixonou por ela não quer dizer que elas ainda as tenha. Muita gente acha que uma relação é estanque, esquecendo-se que nós próprios mudamos constantemente fruto de circunstâncias de vida...E infelizmente nem sempre o amor é eterno como se diz. Acima de tudo sou pelos que lutam por ser felizes, os que não querem ser não podemos "prender" os outros, por vezes levar um abanão na vida faz acordar para a vida. coragem para o seu futuro, a vida dá muitas voltas e surpreende-nos tanto!

Retrato de dnvg
Dom, 06/07/2014 - 17:48
dnvg:
Membro desde: 06.07.2014
sphiren wrote:

Houve algumas pontas soltas no seu tópico. Sinto que com a outra versão a história estaria completa. Isto é, eu concordo quando dizem que ela provavelmente estará amargurada. Não acredito que tenha sido algo especifico e suficientemente avassalador para essa consequencia mas sim um conjunto de eventos negativos que a levaram a isso. Muitas vezes o deslexo de uma mulher num relacionamento e o deixar-se ficar gorda acontece quando subconscientemente a mulher não quer intimidade com o marido. Isto pode ter muitas causas tais como saber que o marido foi infiel, pensar que a relação não tem futuro, que não é amada ou sentimentos identicos. Não digo que é o caso. Mas algo que a possa ter conduzido a isso terá que ser analisado. Ela pode ser frontal até certo ponto. Poderá haver muita coisa que ela não tenha coragem de assumir perante você nem pra ela mesma (por exemplo). Coisas que por norma em terapias, os profissionais puxam ao cimo para que esses obstaculos possam ser derrubados. Fale com ela abertamente, pergunte o que fez de errado, mostre que assim as coisas não podem continuar e proponha terapia de casal se necessário ou divórcio (dê-lhe a escolher o vosso futuro, seja assim directo com ela e mostre-se decidido).
Boa sorte

Sim, também gostaria de saber que acontecimentos avassaladores foram esses para que ela ficasse cada vez pior e mais complicada de lidar. Parece-me que o nascimento do nosso filho veio expor ainda mais a personalidade complicada dela.

Ao nível do sexo, já lá vão quase 5 meses em abstenção...sem procura da parte dela. O meu desejo carnal também se está a extinguir, pois nós homens somos muito visuais e o que vejo dela não ajuda nada...

Relativamente ao falar abertamente, já tentei, não resultou. Já apresentei os papeis do divórcio, também não resolveu. Falta tentar a terapia de casal, ao que duvido que aceite pois ela nem assume que algo está mal entre nós.

Estou perdido...