Casamento a chegar ao fim | A Nossa Vida

Casamento a chegar ao fim

Retrato de Trebaruna
08.10.2018 | 18:23
Trebaruna:
Membro desde: 24.08.2013

Olá a todos,

A minha história não é muito diferente de algumas que já li aqui, porém há sempre detalhes que as diferenciam.
Estou casada há 10 anos e há relativamente um ano comecei a sentir que já não amo o meu marido.
Recentemente manifestei a minha vontade em divorciar-me e percebi que ele ficou muito abalado emocionalmente. Diz que gosta de mim, que não quer o divórcio.
Creio que ele apenas está acomodado a mim e à vida confortável e rotineira. Digo isto porque a intimidade já não existe há algum tempo e quando existia para mim já era quase obrigação. Mas depois existem outros sinais, como o beijo do casal, um beijo frouxo, fugaz, sem chama; no sexo, eu sempre a procurar dar o melhor prazer e a não ter a mesma reciprocidade.
Eu sei que o casamento não pode ser medido através do sexo, mas depois a isto junta-se a infantilidade, a pouca partilha de tarefas em casa, a pouca vontade de fazer coisas novas a dois. Enfim, cheguei à conclusão que ele quer uma substituta da mãe e não uma mulher e tudo isto fez com que eu perdesse o interesse.
Agora a pergunta que todos fazem: porque é que ainda estás casada?
Porque dado o salário baixo que tenho não consigo sustentar-me sozinha. A casa dos pais não é solução porque fica a 120 km da cidade onde vivo actualmente. O valor das rendas é pavoroso. Ainda me mantenho no trabalho porque estou efectiva. Já dei várias voltas à cabeça e não chego a uma saída.

Obrigada antes de mais por lerem este desabafo e se alguém quiser dar uma sugestão será bem vinda. Até breve.


Retrato de Konigvs
Seg, 08/10/2018 - 21:45
Konigvs:
Membro desde: 21.10.2011

Eu sou um romântico. Acho sempre triste quando as histórias de amor chegam ao fim.
Acho sinceramente que no tipo de sociedade que vivemos hoje, a grande maioria das relações está mesmo condenada a isso que descreves. É o corre-corre, a pressa, a falta de tempo, o cansaço, o ter de dar atenção ao outro, aos filhos, fazer um monte de coisas.... Simplesmente não dá.

E sem dúvida que o sexo é um bom barómetro da relação. Quando se passam semanas, meses sem sexo é porque a chama se está a apagar. Até porque, o que me parece é que, as pessoas não têm vontade de foder com o parceiro, mas se houvesse oportunidade, com outra pessoa interessante, rapidamente se tinha toda a vontade do mundo e se davam umas belas cambalhotas.

E imagino que seja triste ficar numa relação só porque "dá jeito", a casa, os dois salários, fazer face às despesas. No fundo isso poderíamos fazer com qualquer amigo...

Mas eu já acho que é um bom princípio admitir que há problemas, e saber o que se quer. A partir daqui... bom é procurar melhorar as coisas.
Boa sorte!

Retrato de cssp
Sex, 19/10/2018 - 12:30
cssp:
Membro desde: 01.04.2009

Olá,

Eu vivo situação semelhante, mas do outro lado da barricada e com uma agravante: uma terceira pessoa no meio. Também vivemos juntos há 10 anos. O meu marido disse-me que já não se sente bem nesta relação e que tem dúvidas quanto ao que sente por mim. Diz que me ama, mas deixou de sentir paixão. Conversámos muito, identificámos as falhas e concluímos que devemos dar uma hipótese ao casamento ( ele cortou contacto com a dita 3ª pessoa e temos passado mais tempo a 2, tentando fazer ressurgir a chama de outrora), mas já lá vão 2 meses e ele continua a dizer que não se sente feliz. Ando muito triste e descrente.

Retrato de carlos_gomes
Qua, 24/10/2018 - 17:18
carlos_gomes:
Membro desde: 25.09.2007

Cuidado com essas ideias romantizadas dos casamentos e da vida a dois: sexo desenfreado, o beijo quente, as borboletas na barriga, etc...Um dia isso passa, mas não é só com essa pessoa com quem estás a agora....é com todas!
Não vivas na ilusão que o casamento é um namoro apaixonado! Quem quer ter uma vida a dois a longo prazo tem de aceitar "alguma rotina" e estabilidade, seja com quem for. O que procuras é fácil de encontrar, mas impossível de manter indefinidamente.
Na vida fui vendo pessoas fazerem essas "trocas" e depois...deram errado, porque "os outros" homens ou mulheres também têm defeitos e rotinas e também se tornam adivinháveis quando vivem connosco.
Há quem não tenha feitio para estar em relações de longo prazo e há quem simplesmente precise de "crescer" e perceber que a vida a dois não é só feita de magia e fantasia...essa parte...até nos filmes termina!

Retrato de cssp
Qui, 25/10/2018 - 12:24
cssp:
Membro desde: 01.04.2009

Concordo plenamente!

Retrato de marco_pt
Qui, 25/10/2018 - 17:49
marco_pt:
Membro desde: 28.09.2018

Tal e qual como referiu o carlos_gomes!
A vida e a relação têm fases melhores e piores, e é a ultrapassar as piores que se reforça o laço nas melhores.

Retrato de Konigvs
Sáb, 27/10/2018 - 08:03
Konigvs:
Membro desde: 21.10.2011

Só vejo gente resignada por aqui.
Eu gostava de saber para que é que alguém vai manter uma relação onde já não há intimidade, cumplicidade e sexo, quando é óbvio se estava incomparavelmente melhor.
Esse conselhos parecem daqueles pais que, quando os filhos dizem que se querem divorciar fazem imensa pressão para que isso não aconteça porque "o casamento tem de ser para a vida" e "o que é que vão pensar a pessoas", etc...
Por vezes está-se melhor sozinho que asfixiado numa relação que já não tem ponta por onde se lhe pegue. Não estou com isto a dizer que as relações não sofrem desgaste. Estou a dizer que as pessoas merecem ser felizes e lutar por isso, e não simplesmente resignar-se que "afinal todas as relações são assim" e pronto, é vida.

E podem ter a certeza duma coisa. A pessoa mantém-se infeliz num casamento assim, um, dois, três anos. E um dia vai aparecer alguém, que vai ser simpático, que vai tratar a pessoa bem, dar-lhe auto-estima, e aí sim, a pessoa separa-se num abrir e fechar de olhos. É mesmo preciso esperar tanto? Ou tem a pessoa que passar trinta ou quarenta anos sem sexo e permanecer num casamento só porque "todas as relações entram em rotina"? Eu acho que não.

Retrato de carlos_gomes
Dom, 28/10/2018 - 21:00
carlos_gomes:
Membro desde: 25.09.2007

Será que você não entende que por esse sistema não tarda está no "mesmo registo" com outra pessoa?! E depois com outra?! E depois com outra?!
Você não entende que isso é ciclo infinito?!
Que essa "insatisfação/frustração/Incapacidade" está em "nós" e não na relação e nem nos outros?!...
Vai precisar de andar a saltar de pessoa em pessoa para chegar aos cinquentas e perceber que é tarde para tudo e que lhe passaram pessoas interessantes que desperdiçou?!

Retrato de Trebaruna
Seg, 29/10/2018 - 18:49
Trebaruna:
Membro desde: 24.08.2013

Olá a todos,

Quero agradecer as vossas respostas.
Não posso dizer que já exista uma solução.
Sinceramente, se eu para já pudesse terminar tudo, eu não iria querer mais relação nenhuma. Podem achar que é o que digo agora, mas sinto mesmo que quero ser livre, mas não no sentido de procurar outros parceiros.
Viver simplesmente em solitude, que é diferente de solidão.
Fazer tudo o que desejo sem ter de esbarrar com negações do parceiro.

Neste momento, estou também a reflectir nas vossas opiniões e muito as agradeço.

De uma coisa eu tenho a certeza, mulher nenhuma merece ter o papel de segunda mãe do marido.

Retrato de cssp
Qua, 31/10/2018 - 10:26
cssp:
Membro desde: 01.04.2009

Entendo perfeitamente o ponto de vista e quando a relação é como descreve também acho que deve terminar.
No entanto, muitas vezes confunde-se a rotina e a segurança de uma relação estável com pasmaceira, tédio, falta de sentimento, etc. É aqui que reside o "perigo". Haverá sempre pessoas externas à relação simpáticas, bonitas, leves, sem trazerem problemas, etc. Mas também o são precisamente pelo que referi: não se está numa relação com ela.
E sim, todas as relações caem na rotina, rotina essa que também é necessária para o equilíbrio de qualquer ser humano. Desde que o homem é homem, o sol nasce e põe-se todos os dias. A rotina não é um bicho papão, também é boa e necessária. Agora, se se trata de uma relação que asfixia e só causa infelicidade, a conversa é outra...

Retrato de Konigvs
Qua, 31/10/2018 - 19:16
Konigvs:
Membro desde: 21.10.2011

Totalmente de acordo.
Por exemplo, após a separação de uma relação de muitos anos, a coisa mais difícil de ultrapassar para mim, foi precisamente a falta das rotinas. A hora em que a ia buscar, bem como todas as pequenas coisas que fazíamos juntos e que passei a fazer sozinho.
A rotina é inerente à vida. Pasmaceira sim, é coisa bem diferente.

Retrato de cssp
Seg, 05/11/2018 - 11:54
cssp:
Membro desde: 01.04.2009

Totalmente de acordo.
Por exemplo, após a separação de uma relação de muitos anos, a coisa mais difícil de ultrapassar para mim, foi precisamente a falta das rotinas. A hora em que a ia buscar, bem como todas as pequenas coisas que fazíamos juntos e que passei a fazer sozinho.
A rotina é inerente à vida. Pasmaceira sim, é coisa bem diferente.

Valeu a pena, Konigvs?

Retrato de Konigvs
Seg, 05/11/2018 - 21:29
Konigvs:
Membro desde: 21.10.2011

Como assim "valeu a pena", cssp?

Retrato de Tony Chopper
Ter, 06/11/2018 - 01:24
Tony Chopper:
Membro desde: 28.08.2017

Por isso é que nas relações não se deve deixar de ser quem é nem deixar de fazer o que se gosta em prol de outras pessoas.

Isso das lembranças., faz parte do luto amoroso e não há nada a fazer, mas com o tempo dói menos até ao dia em que se torna indiferente. Lembro-me de há uns bons dez anos, quando vivi algures no sul de Espanha, ter tido uma acesa relação amorosa... Quando terminou havia sítios naquela lindíssima cidade em que não gostava mais de frequentar porque me lembravam dela e dos momentos que passámos lá... Hoje em dia, já lá voltei e gosto dos sítios de novo, não sinto nada, apesar de ainda me trazer recordações de vário tipo, boas e más...

Penso que o valer a pena a que o CSSP se refere é do tempo investido na relação. As relações são sempre boas para aprender, mesmo quando não dão certo, aprendemos a descobrir o sexo oposto, ganhar experiência social a lidar com outra pessoa, experiência a amar, aprende-se dos erros próprios e dos outros, aprende-se o que se quer e não se quer... Fica sempre algo mesmo, mesmo do mau que possa ter sido uma relação... Eu aprendi muito das relações amorosas que tive...

Retrato de cssp
Ter, 13/11/2018 - 09:05
cssp:
Membro desde: 01.04.2009

Como assim "valeu a pena", cssp?

Pergunto se valeu a pena passar pelo luto do fim da relação. Não te arrependes de ter terminado? estás bem e feliz actualmente?

Retrato de Konigvs
Ter, 13/11/2018 - 20:11
Konigvs:
Membro desde: 21.10.2011

CSSP: Eu não me posso arrepender de um acontecimento que não partiu de mim e que a responsabilidade da separação não foi minha. E esse evento já ocorreu há mais de dez anos!

Retrato de cssp
Qui, 15/11/2018 - 14:52
cssp:
Membro desde: 01.04.2009

CSSP: Eu não me posso arrepender de um acontecimento que não partiu de mim e que a responsabilidade da separação não foi minha. E esse evento já ocorreu há mais de dez anos!

Ok, obrigada pela resposta.

Retrato de Trebaruna
Dom, 18/11/2018 - 08:42
Trebaruna:
Membro desde: 24.08.2013

Obrigada novamente a todos que têm respondido. Para já, não tenho outra hipótese senão resignar-me. Isto soa-me tão injusto para ambos.
Já fiz contas e mais contas, não é possível sustentar-me sozinha.
Vivemos como amigos. Ele parece não se importar, pois como já referi quer uma substituta da mãe.
Bom, mas ainda não perdi a esperança. O futuro há-de ser melhor.

Retrato de Konigvs
Dom, 18/11/2018 - 18:12
Konigvs:
Membro desde: 21.10.2011

Isso é um problema de muita gente. Temos salários miseráveis e não é fácil viver sozinho para fazer face às despesas que são cada vez maiores, por exemplo, a questão das casas como referes. Daí que, muita gente, e foi um drama no período que o FMI cá esteve, em que o número de divórcios caiu a pique, não porque as pessoas tivessem passado a ser extremamente felizes, mas simplesmente porque nem sequer dinheiro tinham para se divorciarem e dividirem os bens, e então continuavam a viver juntas, na mesma casa, mas separadas na realidade. ("Separados debaixo do mesmo teto" dava um bom título, pensei agora!)

Procurar emprego na tua terra natal e voltar para casa dos pais está fora de questão? Nessa situação em que vocês estão não é impossível que um dos dois, ou até os dois, comecem a envolver-se com outras pessoas, e aí talvez a coisa comece a ficar um pouco mais estranha e complicada. Mas, um dia de cada vez.

Retrato de Tony Chopper
Seg, 19/11/2018 - 02:54
Tony Chopper:
Membro desde: 28.08.2017

Entendo perfeitamente a tua postura Trebaruna, possivelmente regressar à terra Natal, será ser alvo de falatório, de coscuvilhice de familiares e terceiros além de que já sabemos o quão difícil é arranjar um emprego e mais difícil ainda um que seja bem remunerado, mas se calhar de momento o melhor seria regressar a casa dos pais, ou encontrar emprego onde te encontras - deduzo que Lisboa ou Porto - e partilhar casa com terceiros, ainda que longe dos centros - podes tentar a margem sul se residires em Lisboa ou o lado de Gaia nos arredores tipo Madalena, Valadares, Francelos, etc., se residires no Porto...

Retrato de SweetBlonde
Seg, 19/11/2018 - 14:32
SweetBlonde:
Membro desde: 02.08.2012

Não poderia dizer melhor. Estou casada há 22 anos e com a mesma pessoa há 30. Ou aceitamos a rotina e o facto de vivermos a dois não serem sempre um conto de fadas ou então o melhor e desistir e viver sózinhos.

O meu conselho é organizar escapadinhas românticas. Ainda ontem cheguei duma!

Sweet Blonde

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