Como superar um divórcio | A Nossa Vida

Como superar um divórcio

As estatísticas mostraram que Portugal é o país com maior número de divórcios na Europa, por cada 100 casamentos que são registados em Portugal há 70 pedidos de divórcio. Depois dos sonhos acalentados a dois e as emoções inesquecíveis de um dia de casamento perfeito, como é que se supera um divórcio?

O fim da vida a dois

São muitos os motivos que contribuíram para os mais de 25 mil divórcios registados em Portugal em 2007: traição, novo amor, incompatibilidades que foram crescendo entre as duas pessoas, desequilíbrio na divisão das responsabilidades domésticas, rotina, afastamento gradual, deixou de haver amor, um quer ter filhos o outro não, carreira, dinheiro, familiares intrometidos, falta de comunicação… e a lista continua. O divórcio pode surgir na vida de um casal de um momento para outro, proposto por uma das partes; pode ser uma decisão mútua; pode ser a única solução possível depois de meses ou anos a tentar salvar o casamento. Qualquer que seja o caso, o fim da vida a dois é sempre muito doloroso.

Uma montanha russa de emoções

Vai divorciar-se. E agora? Parece que o mundo desabou e dava tudo para não ter de sair da cama. Nunca mais. Sossegue, tudo isso é normal. Desde vergonha e culpa, a medo e ansiedade, todos estes sentimentos vão fazer-se sentir no período pós-divórcio e são necessários para iniciar e concluir o processo de recuperação. Embora a tristeza e a angústia sejam penosas e difíceis de vencer, é importante saber que este processo tem um princípio, meio e fim.

1ª Fase – Negação: “Não acredito que isto me está a acontecer. É tudo um enorme desentendimento, nós vamos conseguir resolver e ultrapassar isto.”

2ª Fase – Raiva e ressentimento: “Como é que ele me pode ter feito isto? Eu não mereço, não é justo!”

3ª Fase – Negociação: “Se ficares eu mudo, faço tudo aquilo que tu quiseres (sexo, filhos, dinheiro, seja o que for), mas não me deixes!”

4ª Fase – Depressão: “Está mesmo a acontecer e não há nada que eu possa fazer. Não sei se vou aguentar.”

5ª Fase – Aceitação: “É assim que vai ser, não há volta a dar. Prefiro aceitá-lo e seguir com a minha vida em frente do que ficar fechada em casa, a viver no passado.”

No meio desta montanha russa de emoções surgem muitas outras preocupações: os filhos, a restante família, a casa, os carros, os amigos… Nesta fase, rodeie-se de familiares e amigos que a possam apoiar a 100%, seja com as compras da casa, levar os miúdos à escola ou informar os restantes amigos daquilo que se está a passar. Faça o que fizer, não se isole do mundo.

Esquecê-lo

Chegada a fase da aceitação não quer dizer que entrou em modo esquecimento. Aliás, dificilmente esquecerá o seu casamento e o seu ex-marido, provavelmente continuará a amar ou a odiá-lo, mas não faça disso o foco central da sua vida. A 6ª fase pode muito bem ser a do esquecimento. Deixe de falar no seu ex-marido, na vossa vida e em todos os “ses”: “se eu tivesse feito aquilo”, “se eu tivesse dito que sim” não a vão ajudar em nada se tem um processo de divórcio a decorrer ou finalizado. O passado é o passado. Isso não quer dizer que não tenha direito ao seu período de luto. Claro, que tem. Mas até isso deve ter um prazo, pelo bem da sua tranquilidade emocional e mental. Apesar de cada caso ser um caso e de as pessoas lidarem com a recuperação de formas diferentes, superar um divórcio pode demorar entre 18 meses e 4 anos. Sabemos que é mais fácil dizer do que fazer, mas a verdade é que vai conseguir.

Quando há filhos

Se já é difícil um casal enfrentar um divórcio, mais difícil se torna quando existem filhos. As crianças têm aquela habilidade curiosa de acharem que, se os pais estão zangados, a culpa foi deles. Não pode permitir que isso aconteça. Por mais complicado que seja, tente dar-se bem com o seu ex-marido, nem que seja pelos seus filhos – isto implica não falar mal dele à sua frente, nem usar os miúdos como ferramenta de chantagem ou vingança. São ambos pais dos mesmos filhos e devem consultar-se mutuamente sobre tudo o que lhes diz respeito. Não se esqueça do aniversário do seu ex-marido, nem do Dia do Pai. Estas são datas importantes que as crianças devem continuar a celebrar com o pai. Aliás, é fundamental que continuem a manter uma relação presente e saudável. Sim, mesmo que o seu ex não faça o mesmo consigo… seja superior.

Fazer o luto

Um dos sentimentos mais comuns ligados ao divórcio é o de uma perda irrecuperável, como se tivesse falecido alguém muito próximo – felizmente não é esse o caso, mas exige-se um período de luto. Não de isolamento, mas de luto. Cada mulher saberá fazer aquilo que o coração lhe mandar e o nosso kit de sobrevivência apresenta algumas sugestões para poder finalmente encerrar esse capítulo ou, pelo menos, começar a virar a página:

Enterrar a aliança: numa caixinha guardada no fundo do armário ou no cofre; literalmente, no jardim da sua casa ou na praia; há quem a descarregue pelo autoclismo abaixo ou a venda.

Eliminar a certidão de casamento: pode aproveitar um dos “rituais” acima mencionados e quem diz a certidão diz fotografias e convites do casamento que possam ter sobrado; há quem não tenha meias medidas e queime tudo.

Sem lembranças do “ex”: convém que o seu ex-marido leve todos os seus pertences e quaisquer objectos que a lembre dele de uma forma negativa devem ser eliminados ou doados. Guarde apenas o que achar que deve guardar.

Manter um diário: colocar tudo o que sente, preto no branco, é um acto de grande libertação emocional e uma terapia aconselhada por muitos psicólogos e psiquiatras para quem está a tentar superar um divórcio.

Mudar de casa: a decisão é inteiramente sua, mas se está a iniciar uma nova vida, talvez uma nova casa – exclusivamente sua – será a opção certa para quebrar com o passado e deixar de ser “assombrada” por lembranças difíceis em cada esquina.

Mudar de visual: cuidar de si nunca foi tão importante, para se sentir bem consigo própria, para ultrapassar os sentimentos de inferioridade, de depressão, de solidão e para enfrentar o seu novo futuro com a confiança em alta. Pode passar por simplesmente mudar de penteado ou alterar o guarda-roupa por completo – as vantagens de uma verdadeira metamorfose são mais que muitas, como vai poder constatar!

Festa de divórcio: se houve despedida de solteira e um casamento de arromba, porque não uma festa de divórcio? Anunciar ao mundo o seu novo estado civil não é vergonhoso, mas antes um acto de enorme coragem – junte as amigas, a família e celebre em grande esta nova e empolgante etapa da sua vida.

Fazer uma viagem: depois da festa ou em substituição da mesma, parta numa viagem de descanso, de auto-descoberta e de diversão pura. Há algo de revitalizador no acto de fazer uma mala, partir, chegar e conhecer outras terras, povos e realidades. O regresso será feito com uma nova perspectiva sobre a vida e como aproveitá-la ao máximo.

Novo estado civil

É oficial. Até o bilhete de identidade já ostenta a palavra divorciada. E qual é o problema? Abrace o seu novo estado civil como mais uma etapa da sua vida e não como um estigma. Concentre-se exclusivamente nos aspectos positivos desta mudança: já não está amarrada a uma relação infeliz, nem presa a uma casa onde reinava a tensão, tem agora uma segunda oportunidade para fazer e experimentar coisas sobre as quais se calhar já não pensava há muito tempo. Por mais cliché que possa parecer, a vida realmente continua e se já chegou até aqui, é porque já lhe deu alguma continuidade, não acha? O divórcio também não significa o fim de uma vida amorosa. Só porque a primeira união não deu certo, não quer dizer que a próxima não dará. Claro que vai demorar o seu tempo até voltar a confiar e a amar um homem, mas também não tenha pressa, deixe as coisas acontecerem naturalmente. E só se quiser, claro. O divórcio só destruirá a sua vida se assim o permitir. A vida é bela, não a desperdice no passado.

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