Alimentação biológica
Alguma vez pensou que os produtos que tem no frigorífico podem, para além de proporcionar uma alimentação saudável e saborosa, contribuir para o equilíbrio da natureza e para a preservação dos nossos ecossistemas, promovendo, em simultâneo, o valor do trabalho agrícola? Não? É verdade, chama-se alimentação biológica.
O que é?
Praticada em mais de 120 países, a agricultura biológica caracteriza-se por não utilizar pesticidas sintéticos, herbicidas e fertilizantes químicos nas cultivações, nem hormonas de crescimento ou antibióticos na produção animal; os produtos não são irradiados, nem geneticamente modificados. O resultado são alimentos que contêm níveis mais elevados de vitaminas, minerais, proteínas e anti-oxidantes que, como todos nós sabemos, trazem muitos benefícios para a nossa saúde, contribuindo para a prevenção de várias doenças. Para além de um valor nutritivo acrescentado, os produtos biológicos crescem ao sabor da natureza, desenvolvendo as suas características genuínas, o que acaba por potenciar as suas formas, cores, aromas e paladares – tudo 100% natural.
O que existe?
A diversidade é uma palavra que pode ser perfeitamente aplicada à alimentação biológica, com uma multiplicidade de produtos que vão muito para além das frutas e legumes que já conhecemos. Acrescente à sua lista de compras: lacticínios, carne, pão, bolachas, cereais, massa, arroz, bolachas, sumos, vinhos, café, chã – até batatas fritas e refeições congeladas! Por isso, há produtos para todos os gostos e apetites.
Quanto custa?
Seguir uma alimentação biológica é substancialmente mais cara do que uma alimentação convencional. Com diferenças de preço que podem ir até os 50%, há uma excelente explicação para o aumento no valor das suas compras mensais. Desde o armazenamento e transporte, passando pela transformação e embalagem, todos os alimentos biológicos estão sujeitos a um processo rigoroso, com normas claramente definidas e controladas. Tudo isto, aliado ao facto que estas práticas são muito menos divulgadas do que a agricultura convencional, acaba por conferir aos produtos finais custos elevados. Visto por outra perspectiva, está a gastar mais, mas também está a ganhar: uma alimentação saudável e equilibrada, uma exposição menor aos químicos e toxinas que são prática comum na agricultura convencional, sem esquecer a contribuição para a continuidade de práticas agrícolas amigas do ambiente e do seu futuro. Ter, à sua mesa, a natureza no seu estado mais puro valerá, com certeza, muito mais do que meia dúzia de euros.
O que deve comprar?
Há um conjunto de frutas e legumes que, mesmo depois de lavados, têm uma maior probabilidade de continuarem contaminados com resíduos de pesticidas, por isso, opte pela secção biológica quando tiver de comprar os seguintes produtos: maçãs, uvas, cerejas, nectarinas, laranjas, pêssegos, peras, framboesas, morangos, damascos, melão, meloa, aipo, batatas, espinafres, abóbora, alface, tomates, pepino, cenouras, cogumelos, couve de folhas, nabos, pimentos e feijão verde. Se quiser ir ainda mais longe, coloque na sua lista de compras os lacticínios, as carnes vermelhas e brancas. Também estes produtos são bastante mais caros do que os convencionais, mas a exposição a toxinas é significativamente menor.
O que não precisa de comprar?
Por outro lado, existem muitas frutas e legumes cuja probabilidade de contaminação é muito inferior, se não inexistente, o que significa que, nestes casos, pode continuar a comprar “agricultura convencional”, principalmente se precisar de: bananas, kiwi, manga, ananás, ameixas, melancia, mirtilo, toranja, papaia, abacate, milho, ervilhas, couve-de-bruxelas, couve-repolho, couve-flor, beringela, rabanetes, cebolas, brócolos e espargos. Por isso, com esta lista, já dá para poupar alguns euros… para experimentar noutros produtos biológicos, por exemplo!
Onde comprar?
Estima-se que existem, neste momento, em todo o mundo, cerca de 31 milhões de hectares de área cultivada, dedicadas exclusivamente à agricultura biológica. E a verdade é que não existe hipermercado ou supermercado que não tenha já várias pequenas secções com uma interessante variedade de produtos biológicos. O conceito restaurante/loja biológica também tem vindo a ganhar uma projecção notória, com cada vez mais adeptos a aproveitar este dois em um. A moda da dieta biológica também já tem direito a lojas e mercados especializados, onde fazer as compras vai ser uma verdadeira descoberta! Um conselho? Visite todos estes espaços, compare tipos de produtos e preços, experimente aqui e ali, e descubra os ingredientes que tornam as receitas biológicas tão saborosas, para poder fazer do seu, um frigorífico biológico.
Outras dicas para uma cozinha biológica
- Lave sempre as suas frutas e vegetais. Mesmo que sejam biológicos, isso não implica que não tenham resíduos de pesticidas, provenientes, por exemplo, dos animais que pastam nos mesmos campos ou próximo desses. Nada implica que a agricultura biológica possa ser afectada por químicos sintéticos vindos dos campos vizinhos, através do ar ou da água dos subsolos.
- Outro bom motivo para apostar na alimentação biológica? Se tiver filhos pequenos. Porque estão em pleno crescimento, os bebés e as crianças são, por um lado, mais vulneráveis às toxinas presentes nos produtos convencionais; e por outro, necessitam de alimentos mais ricos em minerais e vitaminas. A alimentação biológica responde a ambas as questões, na perfeição.
- Consuma as frutas e os vegetais apenas nas suas próprias épocas, ou seja, esqueça os morangos no Inverno ou as laranjas no Verão. Fora de época são mais caros, menos saborosos e menos nutritivos. Não vale mesmo a pena!
- Prefira os produtos portugueses ou aqueles cultivados ou produzidos o mais próximo possível do nosso país. Se puder, compre directamente do agricultor: faça alguma pesquisa, pergunte à família e aos amigos e vai ver como depressa encontra onde comprar produtos sempre frescos e provavelmente mais baratos. Em simultâneo, vai estar a reduzir os impactos ambientais que advêm da necessidade de embalar e transportar esses mesmos produtos.
- Se tiver um espaço adequado, algum tempo e paciência, porque não criar uma pequena horta para si e para a sua família? Os benefícios físicos e psicológicos serão mais que muitos.
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