Os pontos nos I's numa relação

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pahpah
Retrato de pahpah
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Desde: 22.02.2014

Boa noite.

Peço desculpa pelo extensão do texto, mas gostava de obter feedback vosso acerca de uma situação que se passou (e passa) com a minha atual companheira. Vai ser longo, mas espero que vos valha qualquer coisa nem que seja como história.

. ELA engravidou aos 21 na sequência de uma relação que era mais uma "curte" casual do que propriamente uma coisa com planos e projetos.

. Na altura, apanhada pelas endorfinas da notícia e pela rebeldia da juventude, desconsiderou logo abortar. Decidiu que teria nem que fosse sozinha, sem com isso exigir ou sequer esperar responsabilidades parentais do tal rapaz.

. Mesmo assim, foi conversar com ELE para explicar as situação. Se ELE dissesse que não queria saber, o assunto para ELE morreria ali mesmo.

. Surpreendentemente, ELE concordou com a escolha DELA, e propôs darem-se a chance de se conhecerem melhor e saber se seriam ou não compatíveis num registo mais sério.

. Apresentam-se às famílias um do outro. Respeitam-se logo, a DELA, aristocracia com sangue velho, e a DELE, nova burguesia com dinheiro.

. A mãe DELE, por ser do tipo mãe uber-controladora que (sobre)compensou ter sido mãe e pai devido ao pai original ter morrido quando o rapaz era bebé, expulsou da vida do filho desde sempre quaisquer vozes críticas ou exemplos masculinos positivos - incluindo o seu atual marido, que parece que é um senhor com S maiúsculo, inclusive com alguma relevância na economia nacional, e que poderia ter servido de contraponto na formação do caráter DELE. Mas não, formar caráter não estava na agenda da tal mãe.

. Como seria de esperar, o que resultou disso foi um pequeno narcissista frustrado, incapaz de qualquer tipo de vitória mais que efémera, porque não sabe reagir perante obstáculos a não ser com berraria e exigências e birras até que a mãezinha venha a correr largar dinheiro sobre o obstáculo até que este desapareça (e sentindo-se assim validada como mulher).

. Para que se perceba a espécie de besta em questão, falo de um orgulhoso militante do PNR, racista assumido, daqueles que vão para manifestações de taxistas espancar condutores da Uber. Um alcólatra e toxicodependente que não hesita em perseguir um carro onde vão mulheres e crianças, levando ELE no seu carro a sua mulher e o seu filho, pondo em perigo a vida de todas estas pessoas só porque o outro carro "passou muito perto" ou "travou demasiado rápido" e portanto, enraivecido, não consegue dormir se não (pelo menos tentar) espancar o condutor do outro carro.

. Do lado DELA, a mãe DELE imediatamente estende os tentáculos e finca-se no seu coração, aproveitando a aberta emocional deixada pela mãe DELA, permanentemente ausente por psicopatologia crónica.

. Claro que esta curva já se via a milhas: ELE a meio da gravidez descarta a máscara de ser humano e revela-se um excremento sem quaisquer qualidades redimíveis:

- - Exige-lhe a ELA parar com a psicoterapia que a ajudou desde que "perdeu" a mãe. Exige-lhe parar com as workshops de teatro que a ajudaram a recuperar a auto-estima depois de uma depressão grave. Exige-lhe cortar com uma significativa porção da família e amigos, aqueles que não tomaram a iniciativa de cortar com ELA por se sentirem intimidados por ELE depois de terem testemunhado abusos e terem tentado chamá-la à razão conquistando assim o ódio DELE. Para ELE, ELA não precisa de amigos, tem os DELE, que já passam a vida lá em casa de qualquer maneira, a beber e a fumar ganzas quando os bares já fecharam.

- - Menospreza e goza sistematicamente com o curso de psicologia que ELA escolheu abandonar para ajudar a pagar a casa onde eventualmente cresceria o filho de ambos (apesar de ELE próprio não ter mais que um 9o ano tirado a ferros nem conseguir mais que uma posição menial na empresa da qual a mãe é dona).

- - Mete-lhe os cornos repetidamente, com escumalha white trash tão pejada de DSTs que o conceito de violação é-lhes simplesmente alienígena e inconcebível, mas ainda assim a acusa a ELA constantemente de ser uma puta, dadas as circunstâncias casuais do envolvimento inicial deles (apesar de ELA não ter estado com mais ninguém).

- - Ganha quase o dobro que ELA ganha, mas pede-lhe dinheiro para os fumos e copos. ELA sabe que pior que lhe dar dinheiro, é ELE não ter dinheiro e portanto não ter o que fumar ou beber. ELA finge que não ouve ELE gabar-se entre os amigos, na casa de ambos, do dinheiro que torrou nesta jantarada ou naquele bar de strip. As contas estão todas em nome dela. Se não sobrar para a renda ou se houver contas com aviso de corte, ELE pede à mãe, deixando claro que ELA lhe está a dever. A mãe concorda que sim, que ELA devia ser mais sensata com o dinheiro.

- - A primeira vez que ELE lhe bate, ELA (muito grávida do filho DELE) procura ajuda mas, com medo da reação da sua (extremamente conservadora) própria família, medo que a culpassem a ELA, medo de juízos de valor, medo que o pai DELA o matasse, acaba por recorrer à mãe DELE. Esta começa por se mostrar chocada (com, de certo modo, a merda que ela própria fez), mas muito rapidamente muda o discurso para o quão difícil foi para ELE crescer sem pai, o quanto ELE está a tentar ser homem de família sem ter em que se basear, confissões de que o pai DELE também tinha mau génio e que provavelmente só não lhe bateu a ela porque morreu antes disso, etc... Amenizou a situação, manteve-os separados, depois serviu de mediadora quando combinaram conversar, e lá conseguiu que ELA concedesse ao seu repugnante filho uma segunda chance.

. Lá nasce o bebé, as coisas acalmam um pouco imediatamente antes e depois, e há um semblante de amor entre todos. Mas em semanas o semblante cai de vez e volta o abuso. O dinheiro DELE não chega para ELE e para o bebé por isso ordena que ELA arranje outro trabalho a poucos meses ter sido mãe. Diz-lhe repetidamente que, sempre que ELE chegar do trabalho, e ELA não tiver ido trabalhar, ELE vai garantir que ELA também não o disfrutará mais desse dia.

. Aquela tal segunda chance tornou-se uma terceira e quarta e quinta e sei lá quantas mais. ELE bate-lhe com o filho de meses no colo. Arranca-lhe o filho dos braços à força. ELE ameaça amigos ou vizinhos que se atrevam a intrometer-se e, sendo cinturão preto de uma arte marcial qualquer, conseguia na maior parte das vezes. Mesmo assim houve diversas denúncias anónimas de violência e visitas por parte da polícia, mas nenhuma deu em nada. Era esperado que ELA o acusasse formalmente perante a polícia, em frente DELE, com ELE a olhá-la nos olhos e sugerir com expressões que ELA sabia o que aconteceria se ELA dissesse que sim, que corria perigo. ELA não teve a força.

. Por esta altura o discurso da mãe DELE mudou do "dá-lhe mais uma chance" para "tu tens que sair de casa porque eu não quero o meu filho preso", tal era a frequência do aparato policial. A mãe DELE já tem o que queria, um bebé para amassar nos mesmos moldes do outro, já não precisa de aparentar instinto maternal para com ELA.

. Por esta altura ELA já não tem amigos a quem recorrer, não confia na família DELA (ou que a família DELA confie NELA), não confia nas autoridades, nada. O peso DELA flutua entre os 30 e muitos e os 40 e poucos, uma mulher de mais de 1,70m. Mal deixa de amamentar, volta a fumar. Ganzas, também. Corta-se, às vezes, como fazia aquando da sua primeira grande depressão (quando esteve institucionalizada). Adormece-se sempre que não tem o filho (que, ao ganhar autonomia, passa mais e mais tempo com a avó por sugestão desta). Deixa de ligar. O outro chega de madrugada a cheirar a alcóol e putas, e decide entrar no corpo DELA que ELA finge estar adormecido, e ELA nem liga e continua a fingir estar a dormir. O outro chega com uma comitiva de amigos ursos e vai acordá-la ao quarto para o ajudar a procurar o stash de droga que já não se lembra onde escondeu, e ela nem liga, levanta-se e procura e volta a dormir. Só quando está sozinha com o filho é que o tempo sai do fast-forward e volta ao normal.

. ELA decide, por esta altura, que é esta a vida que terá. Que, como toda a gente à volta dela deixa abundantemente claro, é o que ela merece e nem sequer é assim tão mau. Que é o melhor para o bebé. Porque ele ao menos não é agressivo com o bebé. É agressivo com terceiros em frente do bebé, incluindo a propria mãe do bebé, mas diretamente com o bebé não é. Este gajo é tão execrável que "não ser violento com bebés", em vez de ser a norma, é algo digno de nota e que lhe conquista pontos junto dos seus.

. Note-se que há momentos bons, claro. Haja dinheiro da mãe do outro. ELE gosta de dar ares de homem de família, e portanto com patrocínio ascendente lá fazem umas viagens com e sem o miúdo, para esfregar uma aparente normalidade no nariz das respetivas famílias. Nalgumas dessas viagens, inclusive, o animal consegue conter-se e não ser completamente desagradável - apenas básico, inculto e boçal. Mais uma vez o imbecil conquista pontos com características que seriam negativas numa pessoa normal, mas que NELE acabam por ser positivas apenas por não serem tão profundamente abjetas como o resto.

. Entretanto, dias são meses são anos. Dois anos. Agora têm um miúdo que anda e fala. ELA vai arranjando uma sequência de trabalhos que culminam num emprego na empresa onde nos conhecemos, eu e ELA. Uma empresa bastante grande, das maiores do mundo, imediatamente reconhecível se eu a identificasse.

. Sob pena de parecer má pessoa, confesso que ELA não me causou uma profunda impressão no início. Magrinha ao ponto de escanzelada. Muitas vezes despenteada. Usava roupa pouco lisonjeira. Fumava muito. Falava muito. As amizades do trabalho DELA eram pessoas por quem eu não tinha grande empatia. Simpática, mas nada mais que isso (pensei eu).

. Um dia estava a tirar umas dúvidas a uma colega, e apareceu-lhe um pop-up com um comentário no chat interno que achei hilariante. Ri-me alto, e ao olhar à volta vi-a a ELA, vermelha que nem um tomate, a tentar não se rir do outro lado do escritório. Fui até lá, apareci-lhe por trás e disse lhe baixinho a punchline da piada que ELA tinha mandado à outra. Rimo-nos os dois e demos um fist-bump. Umas horas depois, ou talvez no dia a seguir, ELA meteu conversa comigo no chat. Tinha um sentido de humor magnífico. Começou...

. Do chat passou para o ocasional cafezinho no break, e eramos minimamente amigos. Eis que vem esse fenómeno de criação e destruição de lares que é o jantar de Natal da empresa. Jantar de luxo com bar aberto vs centenas de jovens adultos demasiado descontraídos = muitos erros cometidos. ELA convida-me para um whisky e fartámo-nos de conversar sobre tudo e nada. Sobre coisas sérias também, e não só aquelas conversas inconsequentes no chat ou à volta da máquina do café do trabalho. Vários colegas fazem comentários infantis, a mim e a ELA e em alguns casos aos dois ao mesmo tempo. Coramos e rimos e separamo-nos. ELA vai para casa porque já tem o outro à perna com mensagens. Eu gozo com isso, sem saber então a dimensão do problema. ELA ri-se. Prossigo a minha noite. Eventualmente também vou para casa.

. Depois do jantar começamos a passar muito tempo juntos no trabalho. São cafés durante os breaks, almoçamos juntos, trocamos mensagens constantes no chat e no telefone. Começamos a contruir um repertório de private jokes. Começamo-nos a conhecer. À medida que os comentários jocosos dos colegas aumentam, eu dou por mim a reparar em pormenores DELA que não tinha reparado antes. No ângulo torto de um sorriso, na dobra no canto do olho durante uma gargalhada, na linha que junta o pescoço ao queixo quando ELA está a olhar para o lado e nem sequer sabe que eu estou a olhar para ELA. ELA começa a ficar mais e mais interessante, mais físicamente atraente, mesmo mais bonita, quanto melhor a conheço. Começo a pensar NELA fora do contexto do trabalho. Fora do contexto da amizade.

. Eu explico-lhe a minha situação de pai solteiro, ELA explica-me a dela de "casada" infeliz. À medida que me vou apercebendo dos contornos miseráveis da vida a que o outro a sujeita, dos requintes de filha-da-putice com que ela se depara diariamente desde há dois anos, também me vou apercebendo da necessidade DELA em se sentir desejada por alguém que ELA respeita. A necessidade DELA em recuperar alguma auto-estima, suficiente para a abanar da inércia em que se encontrava e lhe dar a força para mudar o outro, ou se mudar a si. Decido então ser essa força, se ELA o quiser. Decido, ironicamente, aceitar o papel de ser "o outro" e ajudar esta mulher a recuperar o volante do seu próprio destino, e se calhar encontrar o meu no processo.

. Após um par de conversas particularmente intensas em que admitimos tudo e mais alguma coisa, envolvemo-nos físicamente. Encontramo-nos frequentemente para nos consumirmos. No elevador. No estacionamento. Na hora de almoço. No meu Smart (lol). Quando ELE avisa que não vai dormir a casa, vem ELA dormir a minha casa. Vamos dar voltas depois do trabalho e depois vou deixá-la perto de casa. Há algo de excitante com a situação toda, admito. Já tinha estado com mulheres comprometidas em relações infelizes, mas desta vez havia uma dimensão de heroísmo, uma noção de missão a cumprir. E ZERO de culpa, para variar.

. ELA transforma-se também, em poucos meses fica com um ar mais saudável, cuida-se mais, veste-se melhor, fica mais confiante, começa a arriscar mais. Começa a tomar decisões mais veementes. E a disfrutar mais do resultado dessas decisões, por isso mesmo.

. Obviamente, ELE começa-se a aperceber das mudanças todas que não compreende. Não percebe onde é que ELA vai buscar o desplante de vir agora perturbar a paz podre que ELE conquistou (literalmente) a punho. Suspeita que ELA o ande a trair. Acusa-a de o trair com um colega nosso décadas mais velho, por "demasiados likes no facebook". Esta acusação, o ELE apontar para um colega tão pouco atraente ou sexualmente intimidante para ELE, ofende-a. Como a ofendem as ameaças, e os inquéritos constantes, e apanhar a carrinha dele estacionada perto do nosso trabalho sem motivo para isso. Tudo isto só lhe dá resolução para não ceder, para continuar à procura do momento certo para dizer basta.

. Eu, por esta altura, começo-me a sentir dividido. Porque tenho sentimentos claros por ELA, mas ELA ainda não definiu se o que quer é largá-lo ou renegociar os termos da relação deles. Mesmo querendo largá-lo, o provável seria que ELAquisesse aproveitar para reaprender a estar sozinha. Ou para explorar alternativas à monogamia. E o que eu queria, apercebia-me então, era que ELA quisesse estar só comigo.

. ELA tem diversas recaídas, tal é a insistência DELE em não haver paz em casa até ELA abandonar esta nova atitude de controlo sobre si mesma. Sem violência física, apenas um constante verbalizar do seu desagrado com isto tudo. Mas ELA é forte e aguenta a tempestade com o meu apoio e o de outros poucos amigos que fizemos entretanto. ELA começa a decidir que o vai mesmo deixar. Começa-se a mentalizar e a preparar para o momento.

. ELE no entanto troca-lhe as voltas ao mudar de estratégia. Começa a pedir desculpa, quando erra e também por erros passados. Mostra visivelmente tentar controlar-se, quando anteriormente teria só explodido sem pensar duas vezes. Oferece-lhe pequenos mimos e gestos em família. Há um dia em que ELA vem ter comigo, a chorar, a dizer que tem o marido e o filho lá em baixo, que ELE pela primeira vez apareceu no trabalho para a vir buscar, e que vão jantar fora. Diz me que quer estar comigo, que tem raiva DELE por só agora ELE estar a tentar, quando é tarde demais e ELA já se decidiu, mas que tem que ir. Despede-se com um abraço e eu passo a noite com o vómito na garganta sem saber se ELE não estaria a dormir com os braços à volta DELA na cama deles. Aparentemente tinha me esquecido que eu é que era o outro, ainda. Aterrorizava-me a ideia de ELA me vir dizer "obrigado por tudo mas eu e ELE decidimos resolver as coisas".

. Fiz bem em continuar a acreditar. Uns tempos depois ELA disse que aproveitou a calmaria relativa da altura para conversar com ELE, para o fazer ver que eles se deviam dar bem no futuro por causa do filho em comum que têm, mas que não havia como reparar a relação enquanto casal. Que iam ter que se sentar e falar sobre isso eventualmente. E de imediato a fachada caiu e o comportamente errático voltou. O sair até às tantas, e voltar bêbedo e aos gritos com insultos genéricos ou ameaças sobre mesquinhez.

. Pouco tempo depois há uma noite em que ELA me liga a chorar histéricamente às 3 da manhã, a dizer que ELE perdeu a cabeça, que teve que chamar a polícia, que estava num táxi e se podia vir para a minha casa. O filho estava com a avó. O animal aproveitou a coragem líquida e o facto de não terem o filho para a confrontar com todas as raivinhas interiores que se passam naquela mente irremediavelemente destruída. Chegou a casa enfrascado, como sempre, e desatou a puxar os assuntos do costume mas com uma fúria exacerbada. Porque ELA desta vez respondeu com calma e determinação, em vez das opções prévias de indiferença submissa ou retaliação agressiva, o cerebrozinho réptil DELE confunde-se, e ELE em resposta vai de enfiar murros em si próprio, em série. Teve o discernimento para saber que, se a atacasse a ELA, desta vez não ia ficar impune, então tentou magoar-se a si mesmo, como uma criança que ameaça parar de respirar até os pais acederem às suas exigências pueris. Nessa linha de pensamento, desfez a própria cara ao murro, entre gritos de barracada e lágrimas ensanguentadas que lhe deviam ter sido secas ao estalo quando era pequeno, por quem quer que andasse a comer a mãe dele.

. ELA, em pânico, tenta pará-lo físicamente. ELE empurra-a com violência, primeiro contra o chão e depois contra um móvel de ferro. Magoou-a a sério. ELA ficou com as marcas disso durante semanas. Sem dúvida ELE sentiu que, porque ELA o tentou parar de se magoar agarrando-lhe os braços, a situação respeitava o conceito de auto-defesa e que portanto agora podia magoá-la conforme lhe apetecesse. Empurra, grita, cospe, chora.

. Entretanto chegou a polícia, os vizinhos sob as luzes dos rotativos lá ganham coragem para sair de trás das portas e fingir que só se aperceberam agora do aparato. A besta fugiu, entretanto. ELA faz o depoimento, diz que vai dormir a casa de familiares, e vem ter comigo. Tomamos um chá em silêncio, arranjo-lhe um pijama e dormimos agarrados. ELA não pára de chorar desde que chega até adormecer nos meus braços. No dia seguinte baldamo-nos os dois. E apesar de ELA já me ter dito antes que era minha de corpo e alma, foi nessa noite que deixou oficialmente de "ser DELE".

[...to be continued...]

Cláudia Sobral
Retrato de Cláudia Sobral
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Desde: 12.01.2012
Infelizmente a violência nos

Infelizmente a violência nos relacionamentos é mais frequente do que se desejaria.
O marido/namorado que pratica a violência, seja física seja psicológica tem a horrível capacidade de cortar o nosso cordão umbilical que nos liga ao resto do mundo, ficando assim a mulher completamente dependente dele. Isto porque ele faz achar que sim, ela acredita que realmente não tem valor e que tudo o que ele faz é merecido e no fim da história ele é que é um coitado e a mulher afortunada por ter alguém que a ame tanto como ele.
Mas um dia as coisas mudam, umas vez mais cedo que outras. Infelizmente por vezes, tarde demais.
Mas outras ainda vão a tempo e conseguem se libertar dos demónios que as perseguem. E espero e acredito que seja isso que se passa com a sua companheira. Acho que chegou esse momento. Espero que tenha chegado.

soulquiz
Retrato de soulquiz
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Desde: 12.03.2013
Olá pahpah

Boa, o pesadelo acabou.
Começem de novo.
Apoia-a.
Não se "baldem" porque isso só vos prejudica.
Sejam fortes.
Mais que pena dela, tenho do seu filho.
Protejam-no.
Felicidades.

someone22
Retrato de someone22
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Desde: 31.05.2015
Antes de mais dou-te os

Antes de mais dou-te os parabéns por a história estar muito bem escrita.
Acho que continua na mesma aquele impasse de deixar ou não o marido. Perante o que descreveste o mais sensato seria abandonar o marido, mas têm um filho em comum e isso pesa abruptamente na decisão. Ainda assim valia a pena para o filho não crescer naquele ambiente

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