Foste Agredida/o pelo teu companheiro/a? Tópico de Auxilio.

Retrato de Lopes88
27.07.2013 | 01:08
Lopes88:
Membro desde: 27.07.2013

Tópico de auxilio para quem sofreu de algum tipo de Violência Doméstica

Tenho visto vários tópicos e posts por aqui sobre agressões entre casais e namorados, e não sabem o que fazer, gostaria que ficassem todas com o conhecimento de certos pontos:

- Para as pessoas que conheçem alguém que sofra de violência doméstica:

Meninas a violencia doméstica é um Crime Público, ou seja, não depende de queixa do lesado, basta apenas uma denúncia de alguém, se ouvirem os vossos vizinhos à pancada e acharem que aquilo é grave liguem para a polícia, podem dar queixa anónima se tiverem medo de represálias, que a polícia vai na mesma à casa do vosso vizinho e fala com ambas as partes do casal para saber o que se passou e reportar a situação ao Ministério Público caso haja indices de ter ocorrido violência doméstica. Mais informo que violência doméstica na presença de uma autoridade dá detenção do agressor/a, ou seja se a polícia lá chegar e verificar que está a decorrer a violência doméstica o agressor/a é detido.

- Para as pessoas que já sofreram ou sofrem de violência doméstica:
Algumas de vocês já devem saber, mas aqui fica a informação que existem 3 fases na violência doméstica:

1. aumento de tensão: as tensões acumuladas no quotidiano, as injúrias e as ameaças tecidas pelo agressor, criam, na vítima, uma sensação de perigo eminente.
2. ataque violento: o agressor maltrata física e psicológicamente a vítima; estes maus-tratos tendem a escalar na sua frequência e intensidade.
3. lua-de-mel: o agressor envolve agora a vítima de carinho e atenções, desculpando-se pelas agressões e prometendo mudar (nunca mais voltará a exercer violência).

O Ciclo repete-se novamente, é inevitável.

Na minha expriência de terreno, como trabalho indirectamente com a área, muitas vezes as pessoas têm a ideia que tudo vai ficar resolvido com uma conversa, ou basta apenas irem à polícia apresentar queixa e ficam sem problemas. A queixa deve ser apresentada sim, se virem que a situação é grave (caso tenham filhos ou bens em comuns) ou se estão na dependencia económica dessa pessoa.
Mas para vos ser sincero, da maneira como o sistema funciona, muitos precessos são abertos, dão trabalho aos lesados, porque têm que estar sempre presentes quando forem chamados a julgamento e por norma acabam sempre por arquivar porque desistem da queixa por pena do companheiro ou para não terem mais trabalhos.

Deixo-vos aqui o artigo do Código Penal para consulta: http://www.redecivil.mj.pt/index.php?option=com_content&view=article&id=...

Na minha opinião:

Se são novas, tem uma relação de namoro à pouco tempo, ainda não têm filhos em comum e levaram uma chapada ou foram maltratadas verbalmente/humilhadas, ponham-se a milhas dessa pessoa, podem gostar muito dela, mas devem gostar mais de vocês.

Se já vivem à alguns anos, têm familia em comum e foram agredidas. Em primeiro lugar não tenham vergonha da vossa situação, ele é que deve ter vergonha do que fez, falem do assunto com a vossa familia directa (pais ou irmãos) e aconselhem-se com eles o que devem fazer.

Em ambos os casos tenham noção de uma coisa, quando houver agressões pela primeira vez num casal, atingiram um patamar em que se acabou o respeito entre voces, e vai voltar a haver novamente é só uma questão de tempo.


Retrato de joan_
Sáb, 27/07/2013 - 21:25
joan_:
Membro desde: 08.07.2013

Boa tarde, só quero dizer que gostei bastante do seu post e achei-o bastante útil.

Infelizmente, ainda existem muitas mulheres e homens que são agredidos fisicamente e psicologicamente pelos seus companheiros e não têm coragem para denunciar estas agressões, porque têm medo.

Antigamente as mulheres sujeitavam-se a maus tratos dos maridos, porque não trabalhavam, porque tinham filhos e não tinham como se sustentarem sozinhas e achava-se normal que assim fosse. Hoje em dia faz-me confusão como é que pessoas ainda jovens, com a vida toda pela frente, com internets, com acesso a informação, ainda se sujeitam a situações de abuso. Será que herdaram esse comportamento dos seus pais? Essas pessoas têm que se mentalizar que não é normal, não é natural.. que não têm de se sujeitar a quem não lhes quer bem.

Infelizmente ainda está enraizado na sociedade, as pessoas ainda acham normal homens que batem em mulheres... e se essas mulheres se tentarem livrar dos seus agressores ainda são criticadas, humilhadas e sabe-se mais lá o quê. No caso de homens que são agredidos pela mulher, a sociedade também é carrasca... “que homem é que leva da mulher?”, enfim é logo rotulado de tudo e mais alguma coisa...

É preciso coragem! È preciso denunciar e principalmente que se mentalize que a agressão não é normal entre companheiros e pessoas que se amam. Se um casal começa uma vida a dois já com este tipo de comportamentos a acharem a agressão normal, que exemplo é que irão passar aos filhos?

Também há o outro lado, as pessoas que sabem, que ouvem, mas que também não “deitam uma mão”, porque mais uma vez a sociedade diz que “entre marido e mulher não se mete a colher”... até onde se justifica o “não se meter a colher”... até alguém morrer? O estar a tapar os olhos e os ouvidos a uma situação criminosa, é quase estar a compactuar com essa situação ... Ou simplesmente dá muito trabalho “meter a colher”... ou tem-se medo, porque o que acontece é que muitas das vezes quem “mete a colher” sofre danos colaterais e no final a vitima acaba a defender o agressor! Mesmo assim, não se deve desistir de denunciar comportamentos criminosos , através de denúncias anónimas, se for preciso!

Para terminar, quero deixar uma mensagem de apoio para todas as mulheres e homens que estão a passar por isso e, por favor, tenham coragem de denunciar. Como diz a música “quem ama, cuida!”

Retrato de elsamaximo
Seg, 09/09/2013 - 13:15
elsamaximo:
Membro desde: 01.01.2012

Já fui uma vítima remetida ao silêncio. Mas gritei bem alto, pedi ajuda e hoje dei a volta por cima e sou uma mulher e uma mãe feliz.
É importante acrescentar que é preciso ter muita coragem para admitir que as nossas escolhas foram um fracasso, que não escolhemos o companheiro certo.
A partir daí, o melhor é "por a boca no trombone" e apregoar aos sete ventos que se está a ser vítima. Pois assim, o abusador já não se sente tão "valente".
Dar o grito é difícil, mas o resultado é libertador.
Mais vale ter a esperança na vida do que esperança em que as coisas mudem, porque NÃO VÃO MUDAR!
Muita coragem e peçam ajuda, comecem pela família e acabem nos amigos, transmitir-se que se é vítima, é fundamental. Não é vergonha nenhuma, nunca vi ninguém ter vergonha de ser corajosa!

http://mulheresontemhojeesempre.blogspot.pt/

Retrato de essence1906
Sex, 13/09/2013 - 12:54
essence1906:
Membro desde: 27.04.2013

Estão é a esquecer-se de que também há homens vítimas de violência doméstica, o que é igualmente inadmissível. Pior: se responderem da mesma maneira e agredirem a companheira em legítima defesa, esta pode incriminá-lo e dizer que, afinal, era ela a vítima de violência doméstica. Isto acontece. E eu, como mulher, sinto-me envergonhada por existir gente assim.
Já para não falar de que continua a ser muito difícil para um homem admitir que uma mulher o maltrata, tanto física como psicologicamente. Mas isto acontece e deve ser lembrado!

Retrato de Lopes88
Sáb, 14/09/2013 - 12:56
Lopes88:
Membro desde: 27.07.2013
essence1906 wrote:

Estão é a esquecer-se de que também há homens vítimas de violência doméstica, o que é igualmente inadmissível. Pior: se responderem da mesma maneira e agredirem a companheira em legítima defesa, esta pode incriminá-lo e dizer que, afinal, era ela a vítima de violência doméstica. Isto acontece. E eu, como mulher, sinto-me envergonhada por existir gente assim.
Já para não falar de que continua a ser muito difícil para um homem admitir que uma mulher o maltrata, tanto física como psicologicamente. Mas isto acontece e deve ser lembrado!

Essence1906, ninguém se esqueceu disso, se reparares bem, o próprio título diz: "Foste agredida/o pelo teu companheiro/a", ou seja, dá para os dois sexos.

Isso que referes hoje em dia já não é bem assim, porque sempre que há registo de violência doméstica, é aberto uma fase de inquérito para processo de averiguações, onde cada elemento do casal (marido e mulher, ou marido e marido ou mulher e mulher no caso dos casais homosexuais, sim é verdade que tambem há violência doméstica em casais homosexuais)vão ser ouvidos individualmente e contar a sua versão, como tambem poderão ter testemunhas.

É verdade que há mulheres que se aproveitam disso, principalmente quando sabemos que existem interesses pelo meio, como divisão de bens materiais/imobiliários e poderes de paternidade. Dai tambem existirem investigações para cada caso.

Infelizmente só cerca de 20% das pessoas que sofrem mesmo de violência doméstica é que apresentam denúncia/queixa. Os restantes tentam usar a lei para beneficios próprios.

Retrato de Babe1987
Seg, 16/09/2013 - 20:26
Babe1987:
Membro desde: 29.06.2013

Há outro problema que é o facto de muitas vezes o parceiro agredido ainda defender o agressor.

Ouvi falar de um homem que viu outro a bater na mulher e quando ia ajudar e bater no homem a mulher ainda se ofendeu e disse que ele não tinha nada de bater ao marido... e mais, há quem ache que se a pessoa não sair da relação e "porque gosta".

Quando existem filhos é pior. Porque nada garante que a violência não passe para eles. Aliás, assistirem à violência já é violência neles só por si. Por esta razão não entendo quando se dá a justififcação de se livrarem do homem por causa dos filhos. Eu até acredito que eles prefeririam a separação dos pais a ver um espectáculo daqueles.

Retrato de Sara Carvalho91
Sex, 20/09/2013 - 14:39
Sara Carvalho91:
Membro desde: 27.12.2012

Causar danos morais, e depressivos é considerado violência domestica?

“Você disse que tinha medo de me perder. E veja só, você mesmo me deixou.”

Retrato de Desiire
Sáb, 28/09/2013 - 13:38
Desiire:
Membro desde: 27.08.2013

Eu namoro. E o meu namorado numa me agrediu nem fisicamente e nem verbalmente. Na pele nunca senti isso, mas já vivi esse problema em casa, com a minha mãe e digo-vos que é muito complicado. Para mim era e estava de fora, entre aspas, visto que a principal vítima era ela. Mas depois de muitos anos de abusos ela viu-se livre desse inferno. E sim, todos dizem que é crime, mas sabem que a polícia pouco faz nesses casos. Porque me lembro de uma altura que chamaram a polícia à minha casa, porque o caso estava agreste e falaram com a minha mãe e tudo isso. Como ele ajudava em casa (era meu padrasto), pagando contas, não o podiam meter fora daquela casa. E mesmo o tribunal fez o mesmo! Como é que se admite isto? O que teve de acontecer, foi ter de ser a vítima, neste caso a minha mãe, a fugir do inferno que enfrentava. Se uma juíza diz que isso não é crime, vejam o estado em que o país está em relação a isso. Eu sei que há países que a minima coisa, eles são presos. Não sei se muitos de vós vê, mas antes no Cops, deu um episódio de um casal que estavam a discutir e acho que ele cuspiu para ela, só o cuspir, foi motivo de o prenderem. Por isso.. São as diferenças, meus caros!

Retrato de Baabii
Qui, 03/10/2013 - 15:54
Baabii:
Membro desde: 03.10.2013

Este tema é quente meninas... e é curioso que tenha sido um homem a chegar-se a frente, à valente :)!

É um tema que me custa falar, porque apesar de nunca ter apanhado... as vezes as discussões parecem uma panela de pressão e eu so estou a espera que ele um dia perca as estribeiras... Mas nós somos mulheres e as vezes temos de aguentar a pressão Sad

O que me assusta é se eu dia decidirmos morar juntos... mas com estas atitudes nao sei.

Beijinhos

Babi

Retrato de Osha
Ter, 15/10/2013 - 20:54
Osha:
Membro desde: 27.08.2012

"É importante acrescentar que é preciso ter muita coragem para admitir que as nossas escolhas foram um fracasso, que não escolhemos o companheiro certo."

Bem na minha opinião Elsa é preciso ser-se mais corajosa para aguentar essas tristes humilhações, agressões do que propriamente tomar a decisão de admitir um fracasso.
Não me vejo nessa situação, talvez porque identifico bem os "predadores" e abomino pessoas "colas". Como o post original da colega anuncia há que se manter informada para identificar potenciais agressores e entender que a tal fase "lua-de-mel" nem sempre é sinónimo de amor...nestes casos é o agressor a preparar terreno....tal qual uma aranha a tecer a sua teia....

Retrato de Lopes88
Dom, 20/10/2013 - 19:46
Lopes88:
Membro desde: 27.07.2013
Desiire wrote:

E sim, todos dizem que é crime, mas sabem que a polícia pouco faz nesses casos.

Não é a polícia que pouco faz... a polícia só pode aplicar as Leis que o seu País têm!

Desiire wrote:

Porque me lembro de uma altura que chamaram a polícia à minha casa, porque o caso estava agreste e falaram com a minha mãe e tudo isso. Como ele ajudava em casa (era meu padrasto), pagando contas, não o podiam meter fora daquela casa. E mesmo o tribunal fez o mesmo! Como é que se admite isto? O que teve de acontecer, foi ter de ser a vítima, neste caso a minha mãe, a fugir do inferno que enfrentava.

Mesmo que não ajuda-se nas contas, só pelo facto de coabitar em uma relação análoga a um casal com a tua mãe é suficiente para a Lei não permitir por o teu "padastro" fora da casa.

Desiire wrote:

Se uma juíza diz que isso não é crime, vejam o estado em que o país está em relação a isso. Eu sei que há países que a minima coisa, eles são presos.

É impossível uma juíza dizer isso em audiência num tribunal. Podes dizer que o teu Padastro não cumpriu pena de prisão ou que foi absolvido por falta de provas / arrependimento dele / perdão da tua mãe / benevolência da juíza... existem diversos factores complexos em tribunal quanto à decisão judicial. Mas isso não influência que não tenha existido crime.

Desiire wrote:

Não sei se muitos de vós vê, mas antes no Cops, deu um episódio de um casal que estavam a discutir e acho que ele cuspiu para ela, só o cuspir, foi motivo de o prenderem. Por isso.. São as diferenças, meus caros!

Sim, vejo o cops... e gostava muito que houvesse uma legislação igual à deles em certos crimes a comparar com Portugal... Mas não é o caso exemplar a que te referes.
Podes ter a certeza que se alguém cuspir ao companheiro/a em frente à policia... essa pessoa é detida, até te digo mais, já presenciei detenções de violências domésticas em que o marido apenas disse para a esposa "estás armada em parva??" em frente à polícia.

Agora não vamos confundir detenção com prisão.
São coisas completamente diferentes.