Fluoxetina ... Deixar medicação?! Ajuda | A Nossa Vida

Fluoxetina ... Deixar medicação?! Ajuda

Retrato de sandritasilva
20.04.2017 | 10:21
sandritasilva:
Membro desde: 11.07.2011

Boas,

Fiz uma coisa que não se deve...

"Parei" a medicação sozinha...! "Parei" isto é: Faz hoje 2 semanas que não a tomo.

Já tomava a quase 10 anos.

Foi assim:
À 2 semanas quando vou para tomar o medicamento vi que tinha terminado e tinha de ir pedir ao medico nova receita e comprar.
Tenho deixado andar... tipo não faz mal não tomar só hoje, vou amanha, depois veio o fim de semana... e já faz hoje 2 semanas que não tomo.

A minha questão no fundo é, quando vou começar a sentir os sintomas da falta do medicamento?
E por quanto tempo duram?

Acham que devo voltar a tomar?

Desde ontem à tarde que sinto a cabeça um pouco estranha...
Mas a minha mãe e o meu marido dizem para não voltar a tomar, e eu tenho medo de voltar a ter as crises que tinha antigamente.
Já tomo medicação a cerca de 10 anos. O alprazolam e Fluoxetina (que inicialmente era Sertralina, mas devido ao peso aumentar muito o medico de família mudou para Fluoxetina a uns tempos). Nestas 2 semanas só tenho tomado o alprazolam de manha. Costumava tomar os dois juntos ao pequeno almoço.

Se me poder ajudar agradeço.

Obrigada


Retrato de sandritasilva
Qui, 20/04/2017 - 11:42
sandritasilva:
Membro desde: 11.07.2011

Tomo:

- Alprazolam (Mylan 0.5mg comprimidos)
- Fluoxetina (toLife 20mg capsula)

Retrato de DMRS
Qui, 20/04/2017 - 12:20
DMRS:
Membro desde: 24.08.2009

Deixar a medicação assim de um momento para o outro desestabiliza completamente o organismo e os efeitos da privação podem ser imediatos ou mais tardios mas dificilmente não se encontram. Se estiver a passar por uma fase boa na sua vida pode ser mais fácil lidar com o facto de deixar a medicação mas convém sempre ter um desmame pois uma paragem brusca pode levar a uma depressão muito mais grave e a um quadro clinico bem pior.

O que eu pessoalmente não entendo é que tipo de acompanhamento tem. Está a tomar anti-depressivos há 10 anos? E que tipo de intervenção paralela tem? Que tipo de intervenção psicológica está a ser feita de modo a que não seja dependente de medicação para o resto da sua vida? É que é suposto que a medicação seja algo transitório, haja uma intervenção psicológica e depois haja um desmame. A medicação por si só não a ajuda a longo prazo, precisa que exista uma intervenção de modo a trabalhar o que a levou a precisar da mesma para se poder livrar da medicação e não correr o risco de ter uma recaída grave. Posteriormente é então feito um desmame progressivo e controlado.

Retrato de sandritasilva
Qui, 20/04/2017 - 16:06
sandritasilva:
Membro desde: 11.07.2011
DMRS wrote:

O que eu pessoalmente não entendo é que tipo de acompanhamento tem. Está a tomar anti-depressivos há 10 anos? E que tipo de intervenção paralela tem? Que tipo de intervenção psicológica está a ser feita de modo a que não seja dependente de medicação para o resto da sua vida? É que é suposto que a medicação seja algo transitório, haja uma intervenção psicológica e depois haja um desmame. A medicação por si só não a ajuda a longo prazo, precisa que exista uma intervenção de modo a trabalhar o que a levou a precisar da mesma para se poder livrar da medicação e não correr o risco de ter uma recaída grave. Posteriormente é então feito um desmame progressivo e controlado.

Quem me iniciou a medicação foi o medico de família. E sempre que vou lá e falo ele apenas diz, para a próxima consulta ve-se, está altura não é boa para mexer em medicações desse tipo.
Isto há anos.

Mas como desde que iniciei a medicação não tem comparação com o que sentia antes, vai se arrastando isto a anos e nunca é altura de mexer...
Apenas mudou de sertralina para fluoxetina porque nos ultimos anos engordei mais de 20 kg.

Retrato de DMRS
Sex, 21/04/2017 - 12:07
DMRS:
Membro desde: 24.08.2009

A sandritasilva não tem responsabilidade na questão mas de facto para mim é incompreensível a forma como está a ser "seguida" relativamente a essa questão.
A medicação pode ser essencial e importante em determinadas situações mas deve servir sempre como base para estabilizar a pessoa até ela estar bem o suficiente para poder trabalhar o verdadeiro problema. A medicação por si só "disfarça" apenas o problema e não o trabalha, por isso potencia não só esta dependência a longo prazo como também uma maior probabilidade em ter recaídas e problemas relacionados no futuro.
Há também situações onde apenas a medicação ajuda mas é em situações muito mais raras. No entanto para perceber isto também é necessário que seja realizada uma avaliação e não apenas medicar "por decreto" sem mais preocupações ou avaliações. Mesmo que o médico a tenha avaliado bem há 10 anos atrás essa avaliação está obsoleta e não é válida na actualidade. Quem sabe se até precisaria de estar a tomar a medicação agora? Como é que ele avalia isso? Em que é que se baseia?

Se tiver possibilidades acho que deveria ir a um bom psiquiatra e explicar toda a situação, de modo a que ele avalie não só a medicação que está a tomar como também a dosagem e a possibilidade de fazer o desmame agora ou se considera que actualmente ainda deveria beneficiar de psicoterapia. Se puder, em simultâneo poderá também procurar um bom psicólogo que irá avaliar a necessidade de fazer alguma intervenção psicológica.
Ambos os profissionais, se forem bons saberão indicar se há necessidade de procurar o outro mas para rever a medicação o mais importante será ser vista por um psiquiatra.

No caso de não ter condições para procurar nenhum destes profissionais, pode falar com o seu MF de modo a ser reencaminhada para as consultas de psiquiatria no hospital da sua zona de residência. Habitualmente os psiquiatras no hospital além de avaliarem a necessidade de medicação e o caso também encaminham para as consultas de psicologia no caso de considerarem existir a necessidade de psicoterapia.
Para mim pessoalmente não faz sentido nenhum a situação na qual se encontra sem que seja feita uma avaliação do seu caso e sem que haja um plano formado para a continuação e cessação da medicação. E não faz sentido estar a tomar a medicação há praticamente uma década quando uma intervenção psicológica atempada e bem feita demora muito menos tempo a ser feita.

Retrato de sandritasilva
Sex, 21/04/2017 - 16:08
sandritasilva:
Membro desde: 11.07.2011

.

Retrato de sandritasilva
Sex, 21/04/2017 - 16:36
sandritasilva:
Membro desde: 11.07.2011
DMRS wrote:

A sandritasilva não tem responsabilidade na questão mas de facto para mim é incompreensível a forma como está a ser "seguida" relativamente a essa questão.
A medicação pode ser essencial e importante em determinadas situações mas deve servir sempre como base para estabilizar a pessoa até ela estar bem o suficiente para poder trabalhar o verdadeiro problema. ... ...

Para ser sincera eu já tomo a medicação a tanto tempo que já nem sei porque motivo exatamente a comecei a fazer...!

Quem me medicou foi o medico de família

A nível de psicólogo andei uns tempos na universidade, que tinha disponível para os alunos

Neste momento não sei se ainda faz sentido ou não... o que é certo é que tenho um medinho que uma gravidez aconteça, mas já não entro em panico ao ver uma gravida... mas será que não entro em panico porque estava com a medicação??
Esse é o meu medo. Parar a medicação e voltar as crises.

Mas também já são outras idades, antes era adolescente, agora tenho 30 anos e já estou casada (a pouco tempo)...