A história da Airbus

A palavra Airbus resulta da separação das palavras inglesas “Air” e “Bus” que significam, à letra, Autocarro Aéreo. No geral, trata-se de uma empresa líder mundial na produção de aviões comerciais e aeronaves de transporte militar, com um histórico de mais de 40 anos de existência marcados por avanços tecnológicos e inovações constantes. Saiba tudo sobre a história da Airbus!

O aparecimento da Airbus

A empresa surgiu oficialmente como Airbus Industries, em 1970, num consórcio integrado pela Aerospatiale (empresa francesa), pela Deutsche Aerospace (empresa alemã) e pela Construcciones Aeronáuticas SA (empresa espanhola).

Após privatizações e fusões de alguns dos seus principais parceiros, a empresa tornou-se uma subsidiária da European Aeronautic Defence and Space Company (EADS) que detém 80% da empresa e da BAE Systems que controla os restantes 20%. Estas são as duas maiores empresas fornecedoras de material bélico na Europa.

A nova empresa integrada, a Airbus S.A.S. (Société par Actions Simplifiée) iniciou as suas operações em julho de 2000. A sua sede encontra-se na cidade de Toulouse, na França, e emprega mais de 50 mil funcionários em diversos países europeus. As principais fábricas ficam em Hamburgo, na Alemanha, e em Toulouse.

O esticar das asas

Ao longo da década de 60, face ao aumento da procura das viagens aéreas, várias empresas de aviação europeias fizeram estudos e projetos para a criação de novas aeronaves. As conclusões não foram animadoras - a viabilidade dos projetos não estava assegurada, além de que as várias empresas estariam a competir entre si.

Só um esforço europeu conjunto poderia fazer frente aos Estados Unidos da América (EUA), que detinha mais de 80% da produção mundial de aeronaves. Assim, os vários talentos dispersos pelas diferentes empresas europeias juntaram-se em prol de um bem comum. Em setembro de 1967, um acordo entre Inglaterra, França e Alemanha, com o objetivo de fortalecer a cooperação europeia no domínio da aviação e tecnologia, iniciou a produção conjunta de uma aeronave, o primeiro Airbus - o Airbus A300, o primeiro com bimotor widebody.

O bater das asas

O primeiro voo do A300 saiu de Toulouse no dia 28 de outubro de 1972 e durou cerca de 1 hora e 23 minutos. O primeiro sucesso estava conseguido. Roger Beteille e Henri Ziegler (dois dos três considerados pais da Airbus, o outro é Felix Kracht) sabiam que para a Airbus ter sucesso, eles teriam que atacar o poderoso e lucrativo mercado norte-americano.

Em setembro de 1973, uma operação de charme a bordo do novíssimo Airbus A300 atravessou todo o continente americano, desde o sul até ao norte. Esta ação deixou uma ótima impressão. Em Chicago, houve a necessidade de trocar um dos motores, após um acidente com um pássaro. A velocidade e a facilidade com que a operação de substituição foi efetuada, impressionaram ainda mais. No final tinham conseguido aliciar muitas companhias aéreas a encomendarem o novo modelo de aeronave.

Frank Borman, astronauta da anterior missão Apollo, ficou deveras influenciado com os feitos do A300. Quando assumiu a direção da Eastern Airlines, uma das quatro grandes companhias de aviação da América, foi o principal impulsionador de um consórcio, três anos depois, com a Airbus, o que viria a ser crucial para a sobrevivência e estabelecimento das bases do sucesso futuro.

A máxima eficiência do Airbus

A economia, a eficiência e os padrões tecnológicos do A300 rivalizavam ferozmente com os seus rivais norte-americanos. Este avião (com dois motores) permitia às companhias aéreas fazer uma poupança de 20% em custos operacionais diretos, por viagem, em relação aos seus concorrentes americanos (aviões com três motores).

A crise petrolífera de 1973 provocou um aumento dos preços do combustível. Tendo o Airbus A300 menos um motor que os seus principais rivais, o que logo baixava o preço aquando da sua aquisição, levou a que a sua eficiência económica considerável fosse cada vez mais importante.

O primeiro voo comercial

A 23 de maio de 1974, o A300 entrou em ação, efetuando o seu primeiro voo comercial de Paris a Londres ao serviço da companhia aérea Air France. Nesse mesmo ano, a Airbus continuou a marcar pontos ao estabelecer um acordo com algumas companhias aéreas coreanas.

Subir até às nuvens

Anos mais tarde, foi desenvolvida uma nova aeronave, o A310. Mais uma vez, em consulta com as companhias aéreas, de forma a se conseguir a melhor aeronave possível. Esta tem um maior alcance do que o A300, capacidade para 218 passageiros e uma configuração de duas classes.

Também incorporou um outro conceito que mais tarde se tornaria a pedra angular do sucesso da Airbus, o uso de peso-leve de fibra de carbono reforçada de plástico em estruturas secundárias. Entrou ao serviço no ano de 1983.

As melhorias foram muitas e a vários níveis:

  1. Nas asas, melhorando a eficiência do combustível;
  2. No cockpit houve também um avanço da tecnologia, aperfeiçoando significativamente a interface homem-máquina - melhorando assim a segurança operacional;
  3. Na introdução de monitores de voo eletrónicos.

O A310 marcou um novo início, o da família de aeronaves Airbus. Com o seu leve peso e eficiência atraiu novos clientes.

A tecnologia fly-by-wire

A introdução da tecnologia fly-by-wire permitiu desenvolver aeronaves do mais alto grau de comunicabilidade operacional. Os desvios das superfícies de controlo da asa e cauda deixaram de ser acionados diretamente pelos pilotos passando-o a ser por um computador que calcula exatamente os desvios necessários. Hoje em dia são um padrão no setor aéreo.

Graças ao fly-by-wire, uma companhia aérea pode operar aeronaves Airbus em toda a gama de setores, desde o pequeno curso até ao de longa distância, mudando os pilotos qualificados e as tripulações, em função das necessidades.

Estes foram os principais avanços conseguidos até então, sempre com o objetivo principal de reduzir o peso da aeronave e melhorar a eficiência de combustível, para iniciarem uma nova fase das suas vidas - os aviões de médio/longo alcance (A320, A340).

Voar bem alto

Em fevereiro de 1987, o A320 foi lançado com pompa e circunstância e teve um enorme sucesso. Até ao final de 1988 eram mais de 900 os pedidos firmes de encomendas. Dois anos mais tarde, o número de aeronaves entregues foi superior a 650 unidades e havia mais de 1.700 pedidos de reserva.

Quatro meses apenas, após o primeiro voo do A320, em 1987, foram lançados conjuntamente o A330 e o A340 (com 4 motores). Os avanços tecnológicos continuavam a impressionar. E as encomendas não paravam de aparecer.

A década de 90: uma década de crescimento

O ano de 1997 foi um ano recorde de vendas, com 460 pedidos firmes e 13 novos clientes.

O ano de 1998 foi outro ano de recordes. A Airbus conquistou 52%, mais de metade do mercado mundial de novos aviões, com 556 pedidos firmes. Para isso contribuiu a nova versão do A340-500 que se tornaria a aeronave de maior alcance mundial.

Em 1999 foi criada a Airbus Military com o objetivo de produzir o A400M, a primeira aeronave de transporte militar.

Descer até ao solo

Com o início da guerra do Golfo, em janeiro de 1991, houve uma queda acentuada na procura e, como tal, muitas companhias aéreas cancelaram os seus pedidos.

Mesmo assim, a Airbus continuou a expansão da família A320, apesar da crise económica, pensando a médio e longo prazo. Em março de 1993 veio uma nova gama de aviões de passageiros. O mais pequeno dispunha apenas de 107 lugares.

O novo milénio

O ano de 2000 trouxe anúncios de um novo declínio económico. Em 2001, o ataque terrorista, às torres gémeas do World Trade Center, veio agravar a crise que começava a registar-se. O número de pessoas a voar caiu a pique e muitas companhias aéreas foram à falência.

Esta altura coincide com o rápido crescimento de empresas de baixo custo, especialmente na Europa. Em 2002, em plena crise, a Airbus mantinha as suas encomendas, conseguindo furar um mercado à beira da rutura.

O lado negro da aviação: os acidentes

Os acidentes de aviação envolvendo aeronaves da Airbus foram vários ao longo dos anos, alguns trágicos. Mas só num caso foi atribuída a culpa à Airbus, por falha mecânica da aeronave. Em todos os outros foram culpabilizados os pilotos ou os fenómenos atmosféricos.

No dia 1 de junho de 2009, um A330 da Air France, que fazia o voo Rio-Paris, desapareceu no meio do Atlântico, com 288 pessoas a bordo. Não foi o pior acidente de aviação sempre, como o de Tenerife em 1977, mas foi catastrófico. Passados 3 anos, conclusões polémicas ditaram uma falha técnica grave da aeronave e uma ineficaz atuação dos pilotos como causas principais do acidente. A Airbus foi responsabilizada pelos tribunais.

No dia 26 de abril de 1994 um A-300-600 de Taiwan caiu no aeroporto japonês de Nagoya, causando a morte de 264 dos 271 passageiros que levava a bordo. A investigação atribuiu o acidente a um erro de pilotagem, mas recomendou também ao construtor revisar o sistema automático de pilotagem.

Um século de afirmação e recordes

Em julho de 2002 a Airbus entregava o seu avião número 3.000.

No ano de 2003 a Airbus superou, pela primeira vez, a sua principal rival, a americana Boeing, na entrega de aviões. O total foi de 305 e representou 52% do mercado mundial.

O dia 27 de abril de 2005 marcou a viagem inaugural do novo e popular A380. Este avião trouxe novas e variadíssimas inovações, em especial o seu duplo deck. É capaz de transportar 525 pessoas em duas classes, numa distância até 15.000 quilómetros, como por exemplo da Europa à Ásia, tornando-se assim no maior avião de passageiros do mundo. Entrou ao serviço da aviação civil em outubro de 2007.

Em 2009 a empresa bateu o recorde de entregas num ano, 498, incluindo a entrega da aeronave número 4.000.

Em 2011 os totais de pedidos brutos à Airbus eram de 1.419, enquanto as encomendas líquidas eram de 1.608.

Em agosto de 2004 a Airbus, depois de mais de 30 anos, alcançava o pedido número 5.000. Pouco mais de 6 anos depois atingia o pedido 10.000. Uma prova do seu crescimento e continua liderança mundial.

Em 2011 era entregue o avião número 7.000.

Atualmente existem 11.709 pedidos de aeronaves, dos quais 7.321 já foram entregues, encontrando-se 6.822 em linha de montagem.

Os pedidos de encomendas mantêm-se firmes, fortalecendo a Airbus e a sua presença a nível global. Nos últimos anos, criaram-se vários centros de engenharia em locais tão diferentes e distantes como a China, Rússia e Estados Unidos.

A Airbus tem procurado proteger o meio ambiente através de programas que diminuam a produção de CO2, através de uma indústria mais verde e livre de emissões. Para o conseguir, tem utilizado biodiesel e, mais recentemente, realizou o seu voo inaugural com um sistema de propulsão elétrica.

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